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terça-feira, 26 de setembro de 2017

Sporting na ilusão de querer travar Messi & Cia

Grande jogo em perspectiva para a próxima quarta-feira! Foi para recebermos estes jogos e desfrutarmos destes ambientes deslumbrantes e plenos de emoção que quisemos um estádio ao nível do que então melhor se fazia. E, agora que temos pela frente o Barcelona, depois de o ano passado termos recebido Real Madrid e Borussia de Dortmund, sentimos que esta é "a vida que sempre quisemos". Por isso o sentimento que nos assalta imediatamente é a vontade de despir o papel de meros figurantes e por a Europa do futebol a olhar para nós mais uma vez, só que desta feita enquanto contamos os contos (euros) e os pontos. 

A ideia de ganhar ao todo-o-poderoso Barça certamente que não sai da cabeça dos adeptos, até dos mais pessimistas, embora ela pareça ilusória nas horas de maior realismo. Mas, embora as apostas não nos favoreçam, é obrigatório pelo menos ter essa ambição e dessa forma preparar esse jogo. Porque nada nasce da descrença e da ausência de vontade. Há apenas duas coisas que não desejo: resultados humilhantes, pelo seu efeito negativo sobre o ânimo dos atletas e dos adeptos e no prestigio do clube e lesões. 

"Temos muita responsabilidade. Agora o Sporting tem de ganhar pontos. Estamos convencidos de que podemos conseguir algum frente ao Barça". (JJ)
Ao contrário do que se chegou a pensar, o Barcelona não ficou viúvo com a saída de Neymar. E nem mesmo o turbilhão de decisões incompreensíveis e disparatadas que marcaram a preparação da temporada fez ajoelhar a equipa. Ao contrário: esta é melhor trajectória de sempre nas primeiras seis jornadas. 18 pontos, 18 golos à maior (20m-2s), o que lhe confere não apenas a liderança da tabela mas também de melhor ataque e defesa em simultâneo. Algo que parecia inalcançável visto do jogo da Supertaça com o Real Madrid. 

Para tal contou certamente com a maturidade e segurança de Ernesto Valverde e a sua opção por um surpreendente regresso às origens no que diz respeito ao posicionamento de Messi, com Suarez a fazer de Villa ou Thiery Henry e o azarado Dembelé destinado ao papel de Pedro.  O regresso de Messi a 9,5, (zonas mais centrais, portanto), fez dele o goleador e melhor rematador de La Liga. Na brincadeira já se vai apontando que afinal, e ao contrário do que se dizia, era ele que precisava de sair da sombra de... Neymar.

Do ponto de defesa do nosso último terço de terreno, e apesar dos números avassaladores na La Liga, há aqui uma janela de oportunidade. Apesar de já ter voltado aos golos na estreia de um novo dérby catalão (Girona 0 - Barcelona 1) Suarez está ainda a pedir tempo para se adaptar ao que de novo se lhe pede, ele que até é a personificação de um "9". Dembelé vai ver o jogo da enfermaria e em Girona o lugar foi entregue a Aleix Vidal, que parece ter renascido com Valverde. 

Mas o dilema é permanente e requer muita concentração: se atacas Messi o risco de quebrar a linha defensiva ao centro é enorme, por poder abrir espaços para Suarez, que se movimenta letalmente de fora para dentro. Se deixas Messi ali onde ele é exímio a decidir o risco não é menor.

Uma das grandes virtudes deste Barça está na recuperação do equilíbrio defensivo. Certamente que preferiríamos aquela equipa tantas vezes apanhada em contra-pé e inferioridade numérica, muito por causa do espaço que se formava amiúde entre a última linha defensiva e o meio-campo, com este a ser apanhado atrás da linha da bola. Isso ainda foi visível no jogo com o Real Madrid, cuja lição foi depressa aprendida por Valverde. Para tal chamou Rakitic atrás, para perto de Busquets e adiantou Iniesta, beneficiando assim do maior poder atlético e defensivo do centro-campista croata. A entrada de Semedo, capaz de recuperações notáveis, ajudou a consolidar a equipa defensivamente.

É pacificamente aceite que o Sporting terá que passar grande parte do tempo em missões defensivas. E que terá que ser muito criterioso nas saídas para o ataque de forma a não perder a bola em transição, algo que adversário aproveita como poucos o sabem fazer tão bem. Com esta nova versão do Barcelona a exploração do espaço entre linhas, que anteriormente era possível imprimindo grande verticalidade às acções atacantes, não deverá ser agora possível. 

Ainda assim, não seria de todo surpreendente que Jesus recuasse Bruno Fernandes e desse a Podence a missão de infernizar o juízo aos defensores catalães. Mas a hipótese mais provável e confiável parece-me ser também a mais conservadora, optando pelo que está testado e com bons resultados: Battaglia,William, Bruno Fernandes, Gelson, Acuña.

A grande dúvida no ataque do Sporting poderá muito bem ser resolvida em função da escolha de Valverde. Não é provável que o técnico estremenho opte por Pique e Mascherano, ao que certamente Jesus responderia com a velocidade de Doumbia na titularidade. Embora Dost seja confiável nos espaços frontais à baliza e possa ser importante nos duelos aéreos, assemelha-se mais favorável à estratégia leonina um avançado com mobilidade elevada, pelo menos na fase inicial do encontro.

Ah, e claro, é preciso sorte. Mas esta, ao que se diz, protege os audazes. Aí, e apesar de tantas vezes traído pelo ego, o Sporting tem um treinador que já deve jogado este jogo vezes sem conta e sempre para ganhar.

Nota: artigo publicado em parceria com o site Fair-Play

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Cinco perguntas sobre Bryan Ruiz

A SAD do Sportin pôs a circular a ideia de  que o Bryan Ruiz recusou-se a sair, não aceitando uma proposta de "8 milhões ano" - entre outras - para justificar o seu afastamento. Fonte da SAD, diz o Record, que se apressou a avançar com a ideia de que, ao não aceitar, o jogador não respeitou o Sporting. 

Pergunta 1: E a SAD respeita o jogador fazendo passar assim, informalmente este tipo de informação?


Pergunta 2: Então e se o jogador - este ou qualquer outro - tivesse pedido para sair exactamente porque tinha uma proposta irrecusável de oito milhões, o que é SAD acharia? 

Pergunta 3: Já agora, que sentido faz ostracizar o jogador que é porta-bandeira da selecção de um país onde até há bom pouco tempo inauguramos uma academia?

E para terminar:

Pergunta 4: Bryan Ruiz não tem lugar no actual plantel? 

Pergunta 5: A sério que há mesmo quem ainda acha que perdemos o campeonato 15/16 por causa do Bryan Ruiz?

domingo, 24 de setembro de 2017

Moreirense 1 - Sporting 1: assim se perdem campeonatos

Foi muito infeliz a viagem do Sporting a Moreira de Cónegos. Não foi feliz no alinhamento da equipa, não foi feliz nas alterações efectuadas posteriormente. Uma vez que a questão da arbitragem foi amplamente abordada após o jogo devo dizer que nessa infelicidade não se pode incluir a actuação do árbitro, porque foram várias as decisões que foram julgadas a nosso favor que poderiam ter outro julgamento, incluindo o lance do golo que nos deu o empate.

Nenhuma equipa joga sempre bem em todos os jogos de um campeonato, mas a diferença entre o sucesso e a falta dele está muitas na superação dos jogos menos conseguidos com resultados favoráveis. Neste aspecto o presente campeonato até não estava a correr mal: os jogos com o Estoril, Setúbal e até Tondela não tinha sido muito felizes mas os três pontos acabaram por ser conseguidos, o que não se veio a verificar em Moreira de Cónegos. Perder pontos com uma das equipas mais débeis da liga é um capitulo muito comum na nossa história de campeonatos por ganhar.

Este foi talvez o pior jogo do Sporting até ao momento. O Sporting nunca se conseguiu adaptar às condições do campo reduzido e do relvado e deixou que o jogo corresse quase sempre de forma confortável para o adversário. Várias foram as vezes que o Moreirense pôde beneficiar da desorganização da equipa para lançar perigosos contra-ataques e quase nunca se viu um Sporting esclarecido e controlador dos melhores jogos desta época. As dificuldades em organizar o nosso ataque foram tantas que Dost praticamente não visou a baliza adversária e Patrício acabou por ser mais vezes chamado ao jogo que o guarda-redes do Moreirense.

O terreno curto e relvado demasiado solto e mole pediam uma equipa compacta e muito reactiva mas quem joga com Alan Ruiz está logo a pôr-se a jeito, parece jogar sempre com um jogador a menos. Com a agravante das ausências de Acuña e Battaglia deixarem William Carvalho e Bruno Fernandes demasiado expostos, até porque Gélson e Bruno César estiveram muito longe na oposição aos adversários e nada esclarecidos a sair com bola.

Já a perder, a reacção de Jesus a partir do banco acentuou a infelicidade que marcou esta partida. O Sporting estava sem organização e relevância no meio-campo e, ao preferir Doumbia, o treinador mais não fez do que facilitar a vida a Manuel Machado, um treinador especializado em parar a nossa equipa. (14 jogos, 2 vitórias, 7 empates, 5 derrotas). O jogo não estava para Doumbia, porque não havia espaço e a bola não chegava jogável, e Doumbia não estava para o jogo, andando perdido entre os centrais.

O que o jogo pedia era mais inteligência ou sem esta pelo menos mais presença física a meio-campo e não mais um jogador desligado da equipa e sem que esta o conseguisse servir, como já estava a acontecer com Bas Dost. Nesse sentido a entrada de Iuri Medeiros foi completamente inútil, muito por culpa do próprio, que tarda em aproveitar as oportunidades. Não estranha por isso que este tenha sido também o jogo mais apagado de Bruno Fernandes. Sem a presença física protectora de Battaglia e sem dividir as atenções dos adversários com as acções de Acuña, não conseguiu impor a qualidade das suas acções.

Como é evidente não perdemos o campeonato, da mesma forma que não o havíamos ganho só porque tínhamos ganho os primeiros seis jogos. Mas sabemos bem que é em jogos destes, com equipas pequenas, com jogos mal abordados desde o seu inicio que se perdem os campeonatos.

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Sporting 0 - Maritimo 0: uma crónica com o patrocinio de Predictor

A estreia do Sporting na Taça da Liga 2017/18 terminou como começou, isto é, sem que tenha sido produzida qualquer alteração no marcador. Não se pode dizer que o resultado e a exibição fossem propriamente surpresa, tendo em conta o número de alterações efectuadas e o facto do adversário estar muito bem orientado.

Apesar disso, esteve longe de ser um desperdício de tempo ou de oportunidade para avaliar a qualidade do plantel face às exigências que a época e as ambições do clube colocam. E, entre dúvidas e confirmações, com avaliações e previsões sob o patrocinio de Predictor (!), cada vez mais se vão cimentando as impressões iniciais. A saber:

- O Sporting tem um lote de jogadores que lhe permite formar um onze que é um forte candidato ao título: Patrício; Ristowski, Coates, Mathieu, Coentrão; William, Battaglia, Gelson, Acuña; Bruno Fernandes e Dost.

- Possui ainda alguns jogadores que, mesmo não sendo primeiras escolhas, oferecem alguma segurança e conforto quando forem chamados e dependendo da inspiração do dia: Doumbia, Alan Ruiz, Petrovic, Podence, Bruno César e Iuri. Incluo aqui também Piccini porque pode ser um segunda linha, como aliás tem sido, embora as primeiras impressões deixadas por Ristowski levam a crer que a titularidade é uma questão de tempo.

- Como se nota no parágrafo acima, não há nenhum jogador para a posição de defesa central ou para lateral esquerdo. Talvez haja aqui alguma precipitação relativamente a André Pinto, pelo pouco tempo de jogo que teve até agora e pela dificuldade de integração que a lesão em inicio de época provocou.

- Já Jonathan é um perigo à solta, mas para a própria equipa, tal é a grau de precipitação, as falhas de posicionamento e o elevado número de passes falhados por jogo.

- Tobias não é tão mau como parece, mas é claramente um jogador diminuído psicologicamente o que, num jogador com as suas limitações, funciona como uma ancora a puxar para baixo.

- Matheus Oliveira é um equívoco porque nem o modelo nem o historial de JJ prevê a utilização de um "10" e o filho do Bebeto dificilmente conseguirá ser reciclado para um "8" ou extremo.

- Gelson Dala e Palhinha não parecem contar para JJ, pelo que, se vier a confirmar a falta de oportunidades, não se compreende a sua incorporação no plantel, mais ainda atendendo à sua idade.

- Em jeito de conclusão e pelo que foi dito acima é obviamente preocupante o número de avançados/pontas de lança à disposição (Doumbia e Dost) em caso de lesão ou impedimento de um ou ambos. E que essa limitação também se faz sentir em jogos como ontem, em que não foi possível aumentar a presença na área como o jogo pedia.

- Há que rezar pela solidez física e de forma de TODOS os titulares da defesa. Até porque já tivemos um exemplo bem recente, em que a ausência de Coentrão na Grécia nos expôs a um sofrimento desnecessário. E se tivesse sido em Barcelona ou em Turim? Ou no Dragão ou na Luz?

Nota importante: O que se passou ontem nos ecrãs de Alvalade foi mau de mais para merecer muitos comentários.Um adepto ou sócio do clube não devia ver o seu presidente expor assim ao ridículo todo um clube, num número de atroz mau gosto.

A comparação com Ronaldo é reveladora de megalomania e ilusão de grandeza que tresanda a transtorno psicológico. Só assim se compreende que um presidente que goza de elevado grau de popularidade se espalhe assim, de forma voluntária, à frente de todos. Sportinguistas, rivais, adversários e inimigos.

Mas o que é mais surpreendente em tudo isto já nem é Bruno de Carvalho mas sim a passividade e indiferença com que estes números são tolerados.

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Aprendemos finalmente com os erros?

Seis jogos, seis vitórias, dezoito pontos. E, até ao momento, zero em declarações extemporâneas ou triunfalismos que só servem para acirrar a concorrência.

Disse o presidente no Facebook (!) :

"Nem euforias nem depressões. Foram mais 3 pontos com atitude e compromisso! Trabalho, trabalho, trabalho!

Isto já depois de Jorge Jesus ter dito após o jogo:

"O mundo Sporting, todos nós, temos um objetivo que é sermos campeões e para isso temos de olhar para dentro e não para fora. Por isso em primeiro lugar temos de ganhar, depois se os outros ajudarem melhor, é um dois em um. Mas a nossa pressão tem de ser ganhar, ganhar, ganhar."

Aprendemos finalmente com os erros? Se assim for, estamos realmente mais fortes.

domingo, 17 de setembro de 2017

Sporting 2 - Tondela 0: vitória conseguida à custa da artilharia

Este embate com o Tondela tinha já uma carga especial, por força do resultado do ano passado. O facto de surgir após uma jornada europeia e as noticias que chegavam do estádio do Bessa adensaram ainda mais a expectativa sobre como iria a equipa responder às responsabilidades.

Jorge Jesus mais uma vez, na linha do que vem fazendo esta época, optou por ser conservador nas alterações na equipa a apresentar. Nada de grandes rotações, apenas as necessárias, envolvendo apenas os jogadores mais sobrecarregados. Provavelmente foi por aqui que o jogo começou a ser ganho.

O jogo não foi brilhante mas foi notável pela qualidade do poder de fogo da nossa artilharia. A infantaria não conseguia contornar a muralha beirã, a que não era alheia a inoperância de Alan Ruiz, incapaz de garantir progressão e ligação do nosso jogo pelo centro. Nos extremos a inspiração não abundava para baralhar a defesa e a força aérea não conseguia colocar munições no bombardeiro holandês.

Foi por isso que teve que ser chamada a artilharia. E esta esteve em grande: precisão e força na colocação garantiram os indispensáveis três pontos que garantem a manutenção da liderança, pressionando a vizinhança e distanciando-se mais três pontos do campeão em título. E que golos, senhores!

Assim se construiu uma vitória importante, porque é conseguida num claro contexto de superação da fadiga e desinspiração individual e colectiva. São estas vitórias que no final fazem toda a diferença.

Saliência individual obrigatória para Mathieu e Bruno Fernandes, pela qualidade e importância dos seus remates. E também obviamente para o grande jogo de William Carvalho, que parece estar a caminho da melhor forma de sempre.

Nota final para a colaboração da arbitragem com a dureza incompreensível dos jogadores do Tondela. Qual era intenção?

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Olimpiacos 2 - Sporting 3: Tão espectacularmente bons como espectacularmente maus

Se antecipadamente alguém dissesse que uma vitória inédita (na Grécia) e rara (na Liga dos Campeões, a jogar fora) não seria celebrada efusivamente dificilmente seria compreendido. Mas porquê??? certamente seria a pergunta.

No caso especifico do jogo ontem com o Olimpiacos foi sair da banheira de água quente onde demos um banho de bola directamente para um duche gelado. Aquilo que era uma goleada histórica a caminho tornou-se num resultado escasso e cuja vitória só não ficou em causa porque o jogo terminaria imediatamente a seguir ao segundo golo dos gregos. Naquele momento a equipa estava completamente entregue ao adversário e ao relógio.

Uma pena que assim tenha acontecido. Não só por termos tido ao alcance a possibilidade de por o nome do Sporting debaixo dos holofotes do futebol europeu, mas também pela possibilidade real de o curso dos acontecimentos poder ter ferido a confiança da equipa.

Por se tratar de um comportamento repetido parece-me obrigatório olhar retrospectivamente e não apenas de forma isolada para este resultado. Porque não só os resultados deste ano (Estoril, Feirense, ontem) como alguns do ano passado (Guimarães à cabeça) parecem indicar estarmos na presença de um padrão cujas eventuais causas é necessário perceber. Sob pena de vermos retumbantes exibições como as de ontem acabarem com a imagem de uma equipa à deriva, com o credo na boca e até, no limite, com o resultado em causa.

Problemas físicos (a este nível, tão cedo)?  Desconcentração (duas falhas deste teor de Patrício)? Falta de alternativas? Má gestão das substituições? Má gestão dos elementos disponíveis no banco? Ou apenas erros individuais (Jonathan está em quase todos os golos que sofremos recentemente e isso é um dado importante). Podíamos avançar com algumas delas mas mais importante que a opinião pessoal é a compreensão dos responsáveis técnicos (alô JJ!), que não se pode esgotar em raspanetes aos jogadores.

A entrada em jogo da equipa foi determinante. A assistência de Acuña para o golo madrugador é dos compêndios: bola tensa, a cair numa zona de acção indefinida para defesas e guarda-redes potenciou o êxito. Contra-ataques de filme, como o proporcionado pelo passe notável de Coates a isolar Bruno Fernandes, desmontando num gesto apenas toda a equipa grega.

E por falar em Bruno Fernandes, aquele poste devia ter vergonha de devolver para dentro do campo um gesto de repentismo genial que coroaria de ouro esta entrada de leão deste maiato que passou por baixo do foco dos grandes clubes europeus para onde tudo aponta, será o seu destino em breve. Uma equipa que joga assim não se pode depois entregar à mercê da sorte ou do adversário dando a ideia que até se equivalem.

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Da reacção à entrevista aos emails do West Ham

Foi assim que terminou o meu último post a propósito da última prestação televisiva presidencial:
 
Não há qualquer justificação para este tipo actuações. Não há qualquer ganho para o clube nem para o presidente. E tão assim é que só a total falta de discernimento e de noção -  ou sentimento de impunidade?... - é que faz com que um presidente invente um número destes, na véspera da inauguração do pavilhão, desviando a atenção da obra tão desejada e que ficará para várias gerações.

Há quem possa ver nas minhas palavras apenas vontade de "dizer mal" mas é o próprio Bruno de Carvalho a  reconhecer o seu próprio falhanço na pergunta que fez no post redigido no Facebook:

"Porque será que vejo muito poucos a pegarem em tudo o que eu disse, e que foi tudo novidade para os sportinguistas, e mostrarem a sua indignação perante as provas que dei?"

Essa pergunta deveria ser feita antes de mais a quem o Sporting paga mensalmente como especialista de comunicação. Porque razão a mensagem não passou? Se o objectivo é realmente comunicar com os Sportinguistas - e não insultá-los, como vai sendo habitual - e se se verifica  que "muito poucos" retiveram a mensagem, talvez fosse melhor perceber o que correu mal para que não se volte a verificar. 

Pensar que o problema reside apenas nos destinatários é arrogância mas também é perigoso. É que a pergunta "Será que já foram engolidos (n.d.r. os Sportinguistas) pela estupidificação em massa de que estamos a ser alvo faz anos?" é tão pertinente neste caso como no das eleições em que  "90% de sportinguistas a votarem em mim".

Relativamente ao caso das pretensas propostas do West Ham nem sequer vou discutir o caso com base nos e-mails. Confesso que quando vi a noticia da Sky Sport temi o pior, que seria ver o presidente do Sporting ser desmentido num caso de repercussões internacionais. Porém, analisando os documentos, não se pode afirmar que sejam propostas formais mas também não se pode negar que sejam "propostas". Não parece contudo, pelo que é possível ver, que sejam propostas finais de uma negociação.

Mais importante do que tudo, prefiro acreditar que o Sporting não empreenderia esta reacção pública da forma como o fez - o comunicado inicial foi excessivo e o "dildo brothers" infeliz, apesar do folclore - para depois ser desmentido pelos factos que se viessem a apurar. Já basta a publicidade indesejada que o caso está a ter, porque seguramente que não é desta forma que queremos que o clube seja reconhecido internacionalmente.

A verdade é que a comunicação do Sporting é muitas vezes pouco melhor que desastrosa ou, numa perspectiva benevolente, irrelevante. Repare-se neste momento em particular: quer a entrevista quer as reacções ao caso West Ham acabam por desviar a atenção dos adeptos de um momento particularmente importante e feliz na vida do clube em que inauguramos o pavilhão e desportivamente estamos a ter inícios de época  felizes e promissores em diversas modalidades. Na comunicação tudo é importante: a oportunidade, a forma e conteúdo.

Não termino sem voltar a referir a inauguração efectiva do Pavilhão. Um grande e tão desejado momento celebrado com uma vitória, precisamente na véspera em que se cumprem 44 anos sobre a chegada à presidência de  João Rocha, que muito justamente os Sportinguistas decidiram reconhecer, dando o seu nome à nossa nova casa.

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

A entrevista de Bruno de Carvalho: é disto que se vai falar hoje

Não há adjectivação possível para a última intervenção televisiva de Bruno de Carvalho no canal televisivo do clube. Mas mais do que mais este episódio grotesco preocupa-me a aprovação e por vezes até - pasme-se!  - o aplauso com que os adeptos continuam a dedicar-lhe. Que não haja qualquer dúvida: sem uma rejeição forte e expressiva e em número substancial de adeptos, cenas como estas continuarão a decorrer e tenderão a agravar-se. 

Infelizmente não creio que tal possa vir a acontecer. Porque nem o presidente nem quem o apoia incondicionalmente parece perceber que  não se pode ser simultaneamente o bobo e o rei. Não é mau para o bobo mas é mortal para o rei. 

De forma quase desesperada (percebe-se...) há quem queira fazer crer que "o conteúdo é mais importante do que a forma". Caramba, estamos quase a entrar na terceira década do século XXI! A imagem não é tudo mas quase, é por aí que quase tudo começa. Ninguém compra os sapatos mais confortáveis do mundo, nem sequer perde tempo a olhar para eles se forem desagradáveis à vista. Ninguém acaba uma refeição num restaurante se o empregado lhe deposita na mesa um prato com mau aspecto, ainda que seja a mais apurada iguaria. 

Por isso é que o que o assunto de hoje não é o que o Bruno de Carvalho disse mas sim o seu número burlesco. E, acrescente-se, muito do que foi aí dito não é assim tão importante para a vida do Sporting, é-o sobretudo para justificar a actuação do presidente o que, convenhamos, ainda não é a mesma coisa. 

Não há qualquer justificação para este tipo actuações. Não há qualquer ganho para o clube nem para o presidente. E tão assim é que só a total falta de discernimento e de noção -  ou sentimento de impunidade?... - é que faz com que um presidente invente um número destes, na véspera da inauguração do pavilhão, desviando a atenção da obra tão desejada e que ficará para várias gerações.

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

E assim se encerram duas semanas absolutamente notáveis!

Encerrou-se ontem, com a conquista da Supertaça em futebol feminino um ciclo verdadeiramente notável para a vida do Sporting. Começando pelo  nível interno, estamos na liderança do campeonato nacional de futebol e as nossas meninas, fazendo jus ao seu moto "não há desculpas", devoraram todos os títulos que havia em disputa a nível nacional, coroando de ouro a época de regresso da modalidade.

A nível internacional estão asseguradas as presenças de cinco modalidades ao mais alto nível, nas mais representativas ligas europeias de cada competição. Assim, ténis de mesa, futebol, futsal, andebol e hóquei em patins terão uma equipa de leão ao peito como representante nacional, algo que deve ser muito difícil de igualar por qualquer outro clube.

Assegurada que está a presença agora é nossa obrigação prestigiar o clube com exibições e resultados que ponham o nome do clube nas noticias pelos melhores motivos -  os resultados e as exibições - lutando contra o destino traçado à partida pela ditadura dos orçamentos.

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Obrigado Adrien, boa sorte e desculpa lá qualquer coisinha

Tudo indica que a transferência de Adrien para o Leicester se irá concretizar, faltando "apenas" a validação por parte da F. A. e FIFA. Falta igualmente confirmar os números envolvidos que, situando-se entre os 25 milhões e 30 milhões de euros me parece não só aceitável como um bom negócio. Inferior, bem sabemos, aos 35 milhões da época passada mas, como bem sabemos, a água não passa duas vezes por baixo da mesma ponte. É uma sorte até que volte a passar outra em quantidade aproximada...

O Sporting perde assim o seu capitão e um profissional de mão cheia, cuja dedicação e empenho permitiram superar todos os maus augúrios e sentenças condenatórias que tantos se apressaram proferir sobre as suas qualidades e carreira. Até mesmo o mau planeamento, da qual a dispensa para Israel é a caricatura perfeita de má gestão.

Não me surpreende que muitas das piores criticas sejam precisamente de adeptos do seu próprio clube. Os Sportinguistas continuam a ter uma relação estranha com os jogadores da sua Academia, que depressa passam de bestas as bestiais e vice-versa. Por ser um bom profissional cobra-se-lhe o facto de ter cumprido o seu dever como atleta ao serviço da Académica. Por querer o melhor para a sua carreira (jogar num dos melhores campeonatos do mundo de clubes) e por querer oferecer a si e aos seus um futuro melhor acusa-se de só pensar em dinheiro. 

Bons são quase sempre os outros que fazem precisamente o mesmo com os seus clubes de origem para poderem jogar pelo Sporting. E quando se vão embora levam sempre um obrigado.

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Conselho de Disciplina entre a literatura de Saramago e as séries de televisão

A decisão do Conselho de Disciplina é simultaneamente uma revisitação do livro de José Saramago "o ensaio sobre a cegueira" (que o nosso Francisco Geraldes premonitoriamente trouxe ao centro das atenções, quiçá por outras razões...) e a temática dos mortos-vivos, que a série "walking dead" ajudou a popularizar.

A sabedoria popular também aqui se aplica com toda a propriedade: "não há pior cego do que aquele que não quer ver". Vasco Santos, que tinha a seu cargo as imagens proporcionadas pelo VAR, entendeu  que, "após ter visto o referido lance, através de diversas imagens que me foram disponibilizadas" entendeu que não se registou "qualquer agressão ou prática de jogo violento" por parte de Eliseu. 

A credibilidade deste árbitro para exercer a função vê assim passada uma certidão de óbito, a menos que estejamos na presença de alguma doença temporária ou permanente do foro oftalmológico. Em defesa da saúde do árbitro quer a  a APAF ou pelo Conselho de Arbitragem deveriam averiguar porque cataratas, ambliopia, belarites ou glaucomas são doenças que, quanto mais cedo tratadas, maiores são as possibilidades de êxito. Claro que se estivermos na presença de daltonismo, que apenas permite enxergar o vermelho com determinadas características a cura pode não ser possível... 

Sem esta matéria devidamente esclarecida Vasco Santos não deveria voltar a arbitrar. Vou até mais longe, deveria até estar impedido de sair de casa, porque se não consegue enxergar e ajuizar imagens a dois palmos do nariz e com direito a repetição como pode ele conduzir ou sequer apanhar os transportes públicos sem estar devidamente acompanhado? (Já agora que não seja o Rui Costa, que também parece ver muito pouco...).

Já o Conselho de Disciplina ao não querer ver mais que os ceguinhos ("o Conselho de Disciplina, para poder dar como verificada a infração disciplinar não pode nunca prescindir da apreciação que os agentes de arbitragem fazem dos 'lances de jogo), apesar das evidências e dos meios à disposição, não só se torna no tal "pior cego" acima aludido. Torna-se num morto ambulante, engrossando assim o lote numeroso de figuras, figurinhas e figurantes de "Walking Dead" do nosso futebolinho.

domingo, 27 de agosto de 2017

Sporting 2 - Estoril 1: de arrasar até arrastar quase dava empatar

Na recepção ao Estoril dois espectros pairaram no ar: a perspectiva de desperdício de uma vantagem, ante um adversário menos cotado, que tantas vezes nos penalizou os objectivos e o das consequências do esforço a que a equipa vai estar sujeita por via da sua participação nas competições europeias. 

Quanto a este aspecto deve ser salientada e até louvada a mudança de estratégia de JJ, relativamente ao ano passado. Não produzindo alterações de monta na estrutura da equipa principal não só se apresenta mais forte como vai fomentando as indispensáveis rotinas num onze que se apresenta com mais de metade dos jogadores como estreantes no clube.

Há ainda um terceiro espectro no ar: o VAR. Teria esta vitória sido possível sem ele? Na verdade, e atendendo ao percurso dos eventos teria, porque o golo de Bas Dost não teria sido anulado. Mas os lances finais não só dariam um bom argumento a um filme de suspense, servem para comprovar que a aposta na tecnologia como apoio à difícil tarefa de arbitrar faz todo sentido e peca apenas por tardia.

Quanto ao jogo propriamente dito, saliência para o regresso de Alan Ruiz mas ainda a acusar a ausência prolongada e a falta de pré-época. Bruno Fernandes (que livre, que golo!) é que não acusou o regresso à posição 8 e que nos deixa a sonhar com o caso sério que podia ser juntá-lo com William e Adrien em forma, agora que Gélson até já não apenas assiste mas também já marca em dois jogos consecutivos. Acuña trocou para já com ele o papel de assistente, com três em quatro jornadas. Lá atrás há um novo patrão: Mathieu. Fala francês e obriga os adversários a tocar pianinho.

Agora é esperar que a paragem para os jogos da selecção não nos retire o ritmo. É que contar vitórias por número de jogos jogados é coisa para me habituar...

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Liga dos Campeões: não podia ter sido melhor o sorteio!

Reclamar da sorte por ter que jogar com campeões europeus, na melhor competição mundial de clubes, onde pontuam as maiores estrelas do universo futebolístico, seria o mesmo que ir ao El Bulli, do grande Ferran Adriá e pedir um menu infantil ou um bife com batatas fritas. Estamos na Liga dos Campeões é para isto mesmo, venham de lá, carregados de estrelas a Juventus, o Barcelona e não menosprezemos o Olimpiakos, que está a meio do ranking da UEFA (28º). O nosso infelizmente é bem pior e oxalá quando esta época europeia se encerre esteja de melhor saúde. Não foi para as ver apenas na televisão que construímos um estádio "cinco estrelas UEFA".

Dizer que não somos favoritos é desnecessário, mas não é o mesmo que dizer que não há nada a fazer e que nos resta jogar para qualificação para a Liga Europa. A forma correcta de colocar as prioridades parece-me ser porém a de tudo fazer para contrariar o favoritismo de italianos e catalães e dessa forma amealhar os pontos suficientes para pelo menos continuar nas provas europeias. Não parece, mas não é a mesma coisa. Menos do que isso é melhor começar a pensar fica em casa, pois isto de andar a apenas a passear o nome e as camisolas é altamente corrosivo para a autoestima. Já é tempo de inverter a tendência e como Jesus é o próprio a afirmar - mas ainda está por realizar... - que veio para o Sporting para fazer o que não foi feito é de aproveitar.

É verdade que guardamos más recordações do Barcelona, quando os apanhamos no inicio da ascensão ao trono na era Guardiola. Ou, se quisermos recuar um pouco mais, ao tempo daquele golo do Roberto nos minutos finais... Porém, sem sabermos ainda o valor futebolístico actual do Barcelona e com a sua estrutura directiva a dar ares de "orquestra do Titanic", sabemos que, mesmo ferido,  o monstro catalão em aparente estertor é ainda capaz de provocar muitos estragos. Mas que bom seria para nós estar em crise e com Messi, Pique, Busquet, Iniesta e Suarez nos nossos quadros...

Temos ainda as estreias de Olimpiakos e Juventus em Alvalade. Os gregos vão-nos oferecer o regresso de um velho mal-amado (André Martins) e seria muito importante deixá-los de imediato em sentido, pontuando em Atenas. A Juventus é uma verdadeira chuva de estrelas, com Buffon; Chiellini, Sandro, Kedhira, Dybala, Mandukic, Bernardeschi, Douglas Costa e Higuain! O risco de encadeamento é enorme.

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Steua 1 - Sporting 5: Na Liga dos milhões de... sonhos

Está já selada e arquivada a entrada na Liga dos Campeões e ainda por cima saltando de manita em manita. E com esta frase dou por encerrado todo e qualquer excesso que a retumbante vitória de ontem me tenha provocado.

Está já atingido o primeiro objectivo da época e como isso é importante para o Sporting! Este é pois o momento para voltar a encher os pulmões de ar e focar rapidamente no que é mais importante: no quanto de difícil está ainda por alcançar e sonhar - sonhar sempre! - que é possível fazer ainda melhor. 

Sonhar sem retirar os olhos do grande desígnio da época que é voltar finalmente a ser campeão, entendendo a importância da Liga dos Campeões numa estratégia de sustentabilidade financeira, importante para a consolidação do projecto desportivo e do indispensável prestigio do clube. 

O sonho de uma grande Liga dos Campeões parece-me ainda precoce e proibido sobretudo a partir da fase de grupos por uma UEFA cega pelo tilintilar dos milhões. Uma organização incapaz de perceber que as assimetrias que o "futebol moderno" vai acentuando acabarão por alienar a maior virtude desta modalidade: a incerteza dos resultados e a ideia de que tudo se decide apenas depois do jogo começar, independentemente do nome e do histórico dos contendores.

As diferentes fases do jogo de ontem, e até mesmo a forma como a equipa foi reagindo a elas, acentuam a impressão de que esta equipa, tendo dado já alguns passos certos na sua consolidação, está longe de ser uma "obra acabada". Não apenas do ponto de vista técnico-tático como também mental. Isso se depreende pela forma como abanou, sentindo o golo do empate, algo que dificilmente não terá consequências mais severas na fase de grupos, ante adversários poderosos. 

Para poder crescer ainda mais em todos os aspectos é importante ombrear com adversários que nos coloquem dificuldades, que nos obriguem a superar velhos constrangimentos e malapatas. Para lá do indispensável dinheiro é o que a Liga dos Campeões nos pode proporcionar. Dessa forma um Sporting mais forte e vencedor deixará de ser apenas um sonho.

terça-feira, 22 de agosto de 2017

Isto é mesmo "o da Joana"?

Definitivamente o bom senso é coisa que parece estar a escassear em Alvalade no que diz à elementar separação do que é a gestão do clube e a vida pessoal do presidente. A recente promoção da esposa a responsável do departamento de "Business, Management & Public Affairs do Sporting" é todo um compêndio senão de más práticas pelo menos de actuação pouco ética e totalmente desaconselhável. Mais lamentável só mesmo a necessidade de explicar que isto tem tudo para correr mal.

Nota ainda para o artigo publicado no Record, cujo artigo é mais um comunicado pro-bono que uma noticia. Até a descrição em inglês do cargo para dourar a pílula é infeliz, a atirar para esperteza saloia, como se os destinatários fossem pacóvios facilmente impressionáveis. Tão infeliz que ainda por cima a "noticia" aponta para "factos" que são desmentidos no seu perfil pessoal, reduzindo a sua "experiência" em funções semelhantes  a 4  anos (2011), embora a sua entrada reporte ao tempo de Godinho Lopes (2011).

Boa sorte então para a nova Directora de negócios, Gestão e Relações Públicas uma área que mais do que sorte tem carecido de bom trabalho, experiência e sobretudo competência.

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Fernando Fernandes, um lugar cativo na galeria de imortais

Fernando Fernandes foi campeão nacional, ibérico, europeu, intercontinental e mundial numa vida desportiva dedicada ao Kickboxing. É um caso ímpar de sucesso desportivo. Prémio Stromp, um orgulho para qualquer atleta do nosso clube, concedeu-nos uma entrevista exclusiva na antecâmara da sua visita ao podcast Sporting160.

A primeira parte dessa entrevista em formato escrito foca os momentos enquanto atleta, na segunda feira à noite falaremos com ele sobre o que tem sido a sua vida enquanto treinador e como foi a experiência de escrever um livro.


O Kickboxing chegou à vida de Fernando Fernandes em 1983. De que forma? Já tinha praticado algum desporto antes?
Como já tive oportunidade de referir várias vezes, o filme Luta de Gigantes, protagonizado por Chuck Norris, teve um papel decisivo no meu início no KickBoxing. O filme era especial porque foi o primeiro que debateu o início da modalidade que tinha acabado de surgir. Para além deste impulso, comigo as coisas têm acontecido de forma bastante natural e não tenho dúvidas de que o espírito do desporto de combate já estava dentro de mim, e este filme apenas despoletou aquilo que eu andava à procura.
No meu início tenho de destacar o papel fundamental do Mestre Raúl Cerveira do Judo Clube de Portugal, em Outubro de 1980, pois foi com ele que comecei a treinar.

Entrou para o Sporting em 1992, como era a sua vida de Sportinguista antes disso? Com vivia o dia a dia do clube?
Era praticamente como hoje com a diferença que na altura estava do lado de fora e agora estou dentro de um sonho, o de estar dentro e a trabalhar no Sporting.

Desde pequeno seguia bastante o dia-a-dia do Sporting e o que fazia desde muito novo foi aumentando ao longo dos anos. Foi como amador que conquistou os seus primeiros títulos relevantes, campeão nacional de kickboxing em 90 e 91, campeão europeu e ibérico de full contact em 90. Que memórias guarda desses tempos?

Guardo o facto de ter sido o início e preparação de uma longa caminhada, mas guardo ainda mais que nessa fase era tudo muito baseado em ilusão e sonho, no querer fazer mais, ir mais além, era tudo uma descoberta, uma novidade e sobretudo ainda era tudo muito “puro”, ou seja, a forma como tudo era encarado ainda era com uma grande dose de juventude mas essencial para preparar as base da minha carreira.

Depois entrou no Sporting onde viria a conquistar os títulos mais importantes da sua carreira. Quer nos contar como foi a passagem para o Sporting?
A minha passagem para o Sporting deu-se num momento em que já tinha relevância no desporto, fruto dos títulos que já tinha conquistado, e a isto conciliou-se o facto de na altura o Sporting através do Carlos Rodrigues, que coordenava as modalidades de combate no clube ter decidido avançar com o KickBoxing e andar à procura da pessoa certa para criar e comandar a nova modalidade. 

Falaram comigo e chegámos à conclusão que tendo em conta os objetivos do clube e as minhas características, tudo junto se fundia na perfeição e que era a pessoa certa para fundar o KickBoxing.

Quais são os passos fundamentais para passar de Amador para Profissional, e que sacrifícios são necessários?
A passagem claro que é difícil mas considero que é sobretudo uma questão de aumentar o nível de treino e também o competitivo para um patamar muito mais duro. O nível passa a ter de ser superior em todos os aspetos, como a parte técnica e velocidade e potencia, que claro, passam a ser mais difíceis. 
Exemplo da mudança é que em amador utiliza-se capacete e em profissional não, parece algo simples mas reflete bem a grande diferença. 

Viveu um período incrível enquanto atleta profissional do Sporting nos anos de 92 a 94. Foi 3 vezes campeão nacional, 2 vezes campeão europeu, intercontinental e o célebre título de campeão mundial em 94. Foi o período mais áureo da sua carreira, sentia-se invencível? 
Nunca me senti invencível e acho que se o tivesse sentido não teria conquistado muitos dos títulos que conquistei, sentia sim com capacidade e preparação para enfrentar qualquer atleta, e que conseguia vencer qualquer um. Isto aliado ao trabalho e a minha vontade, foram os fatores decisivos para ir conquistando títulos. 

Quem foi a sua referência no KickBoxing? Tinha algum ídolo? 
A minha grande referência era/é o Jean-Yves Thériault. 

Em 1994 foi distinguido com o prémio mais importante que o Sporting pode atribuir, Stromp na categoria Especial Mundial. Um orgulho, certamente, o que nos pode contar sobre esse momento? 
Sempre foi para mim difícil descrever esse tipo de momentos mesmo sendo único como é o caso, mas a palavra que melhor descreve o que senti, é reconhecimento. No momento para além da muita alegria e orgulho, sentido muito reconhecimento. 

Fez 23 anos que o Fernando Fernandes foi campeão do mundo em Kickboxing. O encontro foi transmitido na SIC em directo, a Nave de Alvalade estava completamente cheia com 1.500 espectadores. Como foi esse dia, esse momento absolutamente histórico?
Sem dúvida um dos dias mais felizes da minha vida. Sinto que muito do que fiz durante a minha carreira foi para me preparar para aquele momento, um momento perfeito, foi em Portugal, foi em nossa casa, nave cheia com o apoio de quem melhor sabe apoiar, tudo. Todos os dias me recordo e me recordam aquele momento. 

Mais um momento que me deixa muito orgulhoso e feliz pois foi história e ficará para sempre na história.

Com este título, o Fernando Fernandes entrou para a restrita lista de campeões do mundo que foram atletas do Sporting, Carlos Lopes, Ramalhete, Rendeiro, Sobrinho, Xana, Livramento e Chambel. Como é ver o seu nome ao lado destes incríveis atletas?
É ser um atleta tão bom como eles mas numa modalidade diferente. É algo que me deixa muito orgulhoso porque está e ficará para sempre na história. 

A sua história enquanto treinador mistura-se com a de atleta, o Fernando é o grande responsável pela escola de formação do kickboxing do Sporting, onde em 2013 já tinham recebido mais de 10 mil atletas. Sente-se uma referência para tantos e tantos jovens que passaram pelas suas “mãos”? 
Nunca fui de falsas modéstias e respondo que sim, sobretudo porque felizmente o que fiz no passado e tenho feito não é esquecido e é constantemente reconhecido. Por exemplo, todos os dias há alguém que vem falar comigo por me conhecer ou também porque é pai de algum ex-atleta ou atleta ou também por já ter sido meu atleta. O que conquistei penso que me legitima para me poder sentir uma referência para os mais jovens, é algo normal, quando somos mais jovens e não só, temos as nossas referências e no desporto costumam ser aqueles que mais vencem, portanto acho natural eu sentir-me uma referência, mas é algo que gosto principalmente por me obrigar sempre a estar em alto nível em todas as áreas. 

Que conselhos pode dar a um jovem que quer seguir o KickBoxing? 
Os melhores conselhos que posso dar são o de escolher o treinador e a equipa que se identifiquem com ele, com os seus objetivos e com a sua forma de ser. Isto para mim é o principal, o resto, ambição, sacrifício, etc é algo basilar na vida.

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