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terça-feira, 17 de janeiro de 2017

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Sporting sob o espectro da linha de água

Para o futebol profissional do Sporting o fim-de-semana passado dificilmente não podia ter sido mais longo e pelas piores razões. De tal forma que hoje, quando olhamos para as respectivas tabelas classificativas ambas as equipas se encontram debaixo do espectro da linha de água. Sim, leu bem “abaixo da linha de água”, porque é assim entendo a classificação da equipa principal do clube abaixo do último lugar do pódium: o terceiro lugar é e será sempre para nós o nosso “mínimo olímpico” que, infelizmente, em várias, demasiadas, ocasiões tem ficado por alcançar.

Ainda apenas relativamente à equipa A a decepção não podia ser maior pelo contraste entre as expectativas criadas no inicio da época e a prestação da equipa. Agora que se vai percebendo que aquilo que era apenas alguns indícios são agora já confirmações: o futebol do Sporting, ao contrário do que se esperava no segundo ano de Jesus, perdeu aquelas que eram as melhores qualidades que lhe reconhecemos no ano passado e tornou-se demasiado previsível e fácil de anular.

Ao contrário do que cheguei a pensar quando estes problemas se tornavam evidentes, não são as outras equipas que estão melhor preparadas para nos contrariar, pois jogar contra três linhas defensivas não é uma abordagem particularmente nova. O que é novo sob o comando de Jesus (mas já velho em outros infelizmente muitos anos) é não termos argumentos para as contrariar. E não é que equipa não tente mas depressa percebe, ao esbarrar nas primeiras duas linhas, a sua própria incapacidade de desmontar o adversário pelo meio, vendo-se obrigada a cruzar e cruzar e cruzar.

Ter disto com Jesus é tão decepcionante como comer um bife duro e umas batatas fritas rançosas num restaurante de um chef que ambiciona estrelas Michelin. O problema é que este não foi apenas um jogo mau, foi mais um jogo mau e quando se olha para o calendário não se consegue augurar nada de muito bom para chegar.

Como um mal nunca vem só, os resultados vão fazendo as suas primeiras vitimas. A mais óbvia para já estão na indispensável coesão que é necessária para superar momentos como os que se vivem. Um péssimo sinal que demonstra que o Sporting não mudou assim tanto como devia. Quantas vezes sem conta nos foi servido este prato?

Os nossos balneários continuam a ter paredes de vidro a deixar passar tudo. E a mesma falta de clarividência e assertividade nas relações entre SAD e os seus melhores activos, seja por excesso ou por defeito.  Quem acha  que confrontar profissionais no seu reduto em momentos de cansaço e desilusão extremas não é “cutucar a onça com vara curta” ainda está nos "anos 80". O mesmo para quem permitiu que tal acontecesse naquele local e naquele momento.Se a entrada do presidente se deu à revelia do treinador então o caso é ainda pior.

A ideia de que uma liderança se pode exercer com métodos ultrapassados, só porque são jogadores de futebol diz muito do quão desactualizados estamos e, de certa forma, ajudam a perceber os resultados. Por outro lado é ilusório pensar que passar culpas e alijar responsabilidades, oferecendo em sacrifício nomes para fogueira vai desviar as atenções. Apenas aumentará a chama na fogueira onde arde já em lume nada brando o nosso futebol. Ninguém duvide que, independentemente das decisões que venham a ser tomadas no futuro, a saída mais fácil do atoleiro em que nos encontramos é com TODOS a fazerem força para o mesmo lado.

Já a Equipa B está mesmo abaixo da linha de água literal. Não é propriamente novo e em parte é compreensível, atendendo às diferenças que separam as equipas deste campeonato. Por outro lado quem vê a equipa jogar continua a não perceber qual é a ideia de jogo pretendida. A única coisa verdadeiramente inteligível é que aquela fórmula não vai potenciar valor.  E este já é muito duvidoso que exista em muitos jogadores, pelo menos suficiente para significarem futuro com a nossa camisola. O que também não deve constituir surpresa para ninguém, com os constantes recursos ao mercado para uma escola que é conhecida mundialmente pela sua capacidade de formar.

sábado, 14 de janeiro de 2017

Chaves 2 - Sporting 2: Perdidas as chaves do sucesso

Quando uma equipa quer recuperar pontos e, perante uma oportunidade de ouro para o fazer, se apresenta a jogo de forma tão pouco convincente e com uma exibição tão probrezinha, faz uma clara declaração de incapacidade aos seus adeptos. E ainda assim quase que ganhávamos o que, diga-se, era muito bom mas pouco justo para o Chaves.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

A aministia de Bettencourt

O Sporting fez duas importantes comunicações nos últimos dias. A primeira relativa à contas consolidadas que, pela extensão do documento e complexidade, não mereceram ainda aqui análise. A segunda diz respeito ao processo em curso de audições dos ex-presidentes, no caso concreto a José Eduardo Bettencourt.

Do epílogo deste processo, e que o comunicado ainda acaba por reforçar, a conclusão a tirar é que a construção da casa pelo telhado acabou por dar os resultados esperados. As acusações apareceram antes de se permitir a defesa dos acusados e bastaram as audições para se concluir que aquelas eram infundadas. Neste entretanto o bom nome dos intervenientes foi posto em causa e o do Sporting associado a práticas dolosas, o que facilmente se poderia ter evitado. Voltando ao comunicado há dois pontos que me suscitaram dúvidas. 

A primeira tem a ver com articulação do ponto 1 com o ponto 2. Seja da minha dificuldade em percebê-los ou da redacção encontrada, não consigo concluir se as razões que levaram à decisão de desistir do processo se estribaram nos "os argumentos apresentados em sede de audição" por permitirem "concluir pela não existência de qualquer ilícito nos actos de gestão practicados durante o seu mandato" ou se, como se lê no ponto seguinte, "as razões para esta decisão prendem-se com a constatação de que existiu total colaboração entre as partes para o esclarecimento e alcance da verdade." É que não é propriamente a mesma coisa perdoar por ter sido colaborante e prestável ou não ter praticado ilícitos.

A segunda está relacionada com as referências ao Pavilhão João Rocha. Certamente por me estar a escapar algum pormenor ou mero desconhecimento dos dossiers. Refiro-me em concreto à afirmação contida no ponto 2 "tendo ainda sido aceite por parte do Dr. José Eduardo Bettencourt colaborar em tudo o que venha a verificar-se necessário para a salvaguarda, a bem do Sporting Clube de Portugal, de todas as condições associadas a tudo o que esteja relacionado com o Pavilhão João Rocha."

Devo confessar alguma surpresa nesta decisão, atendendo ao ponto a que o processo havia chegado. Surpresa pela aceitação das explicações dadas que convenceram os interpeladores. É que, para quem não se lembra o mandato de José Eduardo Bettencourt foi curto em tempo mas dilatado no prejuízo. Este deve-se ter cifrado em valores acima dos 30 milhões de euros, no que só deve ter sido superado pelo que o sucederia, o de Godinho Lopes.  Pelo meio ficaram tomadas de decisão muito questionáveis como e que foram objecto de promessa de levar até às últimas consequências por Bruno de Carvalho em sede de campanha:

9,6 milhões de euros foi o valor envolvido  na contratação de Sinama-Pongolle, que praticamente nunca calçou. Quase tanto como Bas Dost mas ao preço de sete anos depois!

O ordenado bruto anual de José Eduardo Bettencourt era de 159 mil euros, tratando-se do primeiro presidente remunerado da história do Sporting.

O empréstimo de Caicedo cifrou-se em 400 mil euros, com o  Manchester City a ficar ainda com um crédito de  250 mil euros para a eventual compra futura de um jogador leonino.

Rui Meireles recebeu 449 mil euros de indemnização para abandonar o cargo de administrador que ocupava na SAD leonina, embora o seu acto mais visível foi o de ter deixado a equipa ao abandono após resultado confrangedor em Moreira de Cónegos. 

Também Pedro Afra e Salema Garção beneficiariam de indeminazações acima dos valores legais, tendo Bruno de Carvalho prometido na campanha que o levaria ao poder levar o caso até às últimas consequências.
Não menos estranho é José Eduardo Bettencourt e todos os que consigo acabaram por ver a sua honorabilidade posta em causa aceitaram este desfecho de forma aparentemente plácida. Que pelo menos o Sporting ganhe com este desfecho é o que eu desejo.

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

As medidas mal medidas para a arbitragem

A causa é justa mas o serviço prestado pelo Sporting na discussão dos problemas da arbitragem com a divulgação de onze medidas avulsas é inútil e ineficaz. Quer quanto à forma quer quanto ao conteúdo esta divulgação é a melhor forma de fazer muito fumo mas pouco lume, pelo que o mais natural é que não produza nenhuma alteração.

Oxalá os acontecimentos venham a desmentir a minha convicção que a divulgação das medidas no Facebook não é apenas inútil, é contraproducente, por ser uma ferramenta que o próprio Bruno de Carvalho se "esforçou" em desvalorizar por uso descuidado. Dificilmente a comunicação será entendida como mais substancial que um desabafo ou a expressão de um estado de alma. Os SMS's  poderão funcionar para efeitos de convocação de flash mobs mas dificilmente produzirão efeitos junto da formalidade e imobilismo que caracterizam os clubes profissionais e respectivas direcções.

O mesmo se aplicará ao conteúdo, cuja redacção descuidada aparenta ter ocorrido entre duas actividades distintas ou em simultâneo. E ainda que se reconheça validade e pertinência em algumas delas, esta forma de as propor, bem como a superficialidade que a caracteriza, é uma forma de as auto-desvalorizar, oferecendo assim argumentos aos que não têm qualquer interesse em mudanças. 

Se o Sporting quiser alterar uma virgula que seja aos regulamentos e ao status quo da arbitragem tem de ser consequente com a sua vontade e liderar o processo, pondo os pés no caminho, que muitas vezes encontrará enlameado e armadilhado. É preciso resiliência, porque os revezes acontecerão antes da obtenção de qualquer ganho, por pequeno que seja. Para este fim é necessário unir esforços e vontades, mesmo que a principio sejam poucos, porque a pregar sozinho o mais que se consegue é ruído. 
Alguém no seu perfeito juízo acredita que vai haver um milagre e os relatórios vão começar a ser divulgados no imediato? 

Que o cancro dos observadores, perpetuador de jeitos, favores e influências, vai  acabar amanhã?

Que as nomeações vão começar a ser marcadas por critérios de sensatez e decoro?

Que vale a pena iniciar já a aplicação do "vídeo arbitro" sem uma limpeza prévia e sem acautelar uma regulamentação que proporcione transparência no seu uso?
Para tal é preciso convocar, reunir, deliberar e seguidamente o mais difícil, que é constituir uma maioria que, em sede de votação ou influência consiga plasmar nos regulamentos as mudanças pretendidas. E embora elas sejam necessárias no imediato o horizonte temporal exequível dificilmente poderá ser outro que não a próxima época e deveria ser essa a ambição.

Ora, como é bom de ver, isto não é compaginável com a vida absorvente de um clube com actividade permanente. Nomear uma pessoa com credibilidade e reputação inatacáveis que represente o Sporting (em tempos foi aqui sugerido Jorge Sampaio para efeitos semelhantes) e que alavanque um movimento de regeneração profunda do futebol português, que vá desde os quadros competitivos até aos regulamentos, sejam de arbitragem ou não é uma das medidas possíveis.

Como facilmente se percebe este é um empreendimento tão necessário como de dificuldade extrema para se levar a efeito. Com representantes ou directamente o Sporting, pela sua índole e por necessidade de sobrevivência do seu estatuto, tem aqui um desafio tão importante e necessário como o da reestruturação financeira. São já mais de três décadas de tratamento desigual, enquanto os seus rivais dividem entre si influências e benesses.

De outra forma, e com a falta de coerência e profundidade que o Sporting tem dedicado à matéria, dificilmente será levado a sério e não terá mais atenção do que a que de um clube que só se queixa quando as coisas correm mal.

domingo, 8 de janeiro de 2017

Sporting 2 - Feirense 1: A ida às termas vem mesmo a calhar

Quem olhar apenas para o resultado que o Sporting acaba de conseguir ante o Feirense não conseguirá aperceber-se da superioridade exercida num largo período de tempo, onde inclusive chegou à vantagem com golos resultantes de belas execuções. Ficará apenas com a ideia das dificuldades sentidas pela equipa nos momentos finais, especialmente depois de sofrer um golo (mais um) revelador das nossas dificuldades em defender. Comparado com o que vimos o ano passado até parece que mudamos o sector defensivo, quando foi precisamente este o que beneficiou de maior estabilidade. 

Em dia de aniversário Paulo Oliveira recebeu a titularidade como uma prenda inteiramente merecida e que acabou por justificar. Faltará apenas trocar de posição com Coates para ficar mais confortável e poder subir um pouco a sua participação na saída de bola, o que está longe de ser o seu forte. 

Quem regressou também à titularidade e a um nível mais próximo do que se lhe exige foi Alan Ruiz, demonstrando mais do que apenas um bom remate, que era tudo o que se tinha visto até agora. O passe para o segundo golo é delicioso e a repetir. Falta-lhe agora maior intensidade e participar mais nas restantes fases do jogo que não apenas quando a bola lhe chega aos pés. 

Quem tarda em justificar a chamada e mesmo o regresso é Elias. O contraste entre o que é a equipa com Adrien e com o brasileiro é tão grande que por mais benevolente que se queira ser na apreciação é impossível não concluir sobre a fraqueza das suas prestações. Defensivamente a sua participação é quase nula, explicando-se assim em parte como é que a equipa perde o controlo do jogo de forma contrastante neste jogo com o que vinha fazendo até então.

A descida a pique nos últimos minutos mais do que um problema de deficit físico ou de menor qualidade deste ou daquele jogador parece ser também de origem ordem anímica pelo que a ida às termas (o Sporting vai cumprir um mini-estágio num lugar absolutamente paradisíaco, Vidago) desde que bem aproveitada, tem tudo para se justificar neste momento. 

Este foi um mês terrível para o Sporting (4 derrotas, duas saídas de provas onde queríamos ir longe), é apenas a terceira vez que chegamos ao intervalo a vencer e a segunda vez (!) que conseguimos ganhar consecutivamente e já vamos com 25 golos (!) sofridos. Dados que revelam a nossa irregularidade, talvez a palavra chave do nosso campeonato até agora.

Mas nem tudo é negativo, ficamos mais próximos do segundo lugar e a depender apenas de nós para o reconquistar e Bas Dost com categoria e números (melhores em média do que os de Slimani, quem diria?) lidera já a lista de melhores marcadores.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Depois de Setúbal, as desculpas, a competência e a estratégia

Passadas algumas horas após o jogo de Setúbal e mais a frio julgo que se impõem algumas notas de reflexão e é disso que se fará o post de hoje.

Penalty
Mantenho a minha posição relativamente ao lance, sendo notável que este tenha reunido uma inusitada unanimidade das opiniões a que acedi, independentemente do clube de quem as emitiu. Ora isso diz muito do erro cometido pelo árbitro. 

E as reacções de desconforto do árbitro no momento da marcação do castigo e o cartão amarelo a Coates e a falta que lhe imputou revelam que puniu por palpite e não pelos factos que ocorreram. As declarações de Edinho ("empurrão pelas costas") e de Couceiro ("toque na perna") ajudam a confirmar o erro.

Tivesse o árbitro assinalado e punido como autor da falta Douglas ainda assim teria cometido um erro, mas mais fácil de admitir, atendendo às incidências do lance. Assim, o que fica é a total inaptidão para a função de quem apita por intuição. O que é confirmado pelas imagens abaixo de um jogo da nossa equipa B, arbitrado pelo mesmo individuo e que, na altura, ao assistir em directo, me provocou nojo. Saber como é que este senhor continua a arbitrar é descobrir as razões da doença de que enferma a arbitragem.


Sem desculpas
Não se infira das palavras acima que a razão da nossa saída da competição deve ser única e simplesmente assacada à actuação do árbitro. Esta foi decisiva, e mais ainda porque occore num momento que a equipa fica sem tempo para a inverter. Mas não pode deixar ser lembrada a fraca imagem deixada pela prestação da equipa e a resposta quase nula dada após o encaixe do golo inicial. Golo esse também embaraçoso e que nos diz que os nossos problemas são carácter muito mais abrangente do que a falta de Slimani, João Mário, dos laterais ou a ausência de Adrien. O mesmo se pode dizer do sucedido no lance do qual resultaria o penalty e que tanto jeito parece ter dado ao árbitro.
Um problema de competência(s) 
Maior embaraço é constatar que o Sporting dispunha de três (!) resultados possíveis, embora um deles sob condição, para seguir em frente e ainda assim acaba eliminado. Como é do conhecimento comum, além da vitória e do empate, o Sporting poderia ter perdido o jogo e seguido em frente se a média de idades fosse inferior à do Setúbal. Num clube que se orgulha da sua escola e que tem à mão um sem número de jovens, ter saído de competição por ter uma equipa mais velha - e pior, com mais estrangeiros - é sal que se acrescenta à ferida. 

Orgulho à parte, é necessário perceber como é que a vantagem da idade não foi contemplada pelo menos como medida de segurança para a eventualidade de algo correr mal, como de facto ocorreu. Aqui há dois planos em que a questão deve ser analisada: o plano legal e o plano técnico.

As questões legais devem ser analisadas pelo secretariado técnico. Desconheço quem exerce estas funções no clube, mas elas são indispensáveis à tomada de boas decisões, que vão desde a aquisição de jogadores até à utilização destes. Um treinador não tem que saber se o jogador que pretende adquirir está lesionado, já jogou por mais de dois clubes (veja-se o caso "Real Madrid/Cherysev ou mesmo a contratação falhada de Niculae), se está castigado, etc. Importa pois saber se Jesus foi avisado e mesmo assim ignorou o aviso ou se simplesmente ninguém o alertou. 

A competência de uma estrutura para o futebol começa muitas vezes por aqui. Quanto mais competente for um secretariado técnico - que tem que abraçar de forma transversal várias áreas do conhecimento - mais aptos estarão os dirigentes para tomar decisões que os ponham a salvo da flutuações de interesses de treinadores, agentes, etc.

Um problema de competitividade
Este resultado é o segundo em pouco tempo em que o clube se vê afastado de um objectivo por falta de respostas de qualidade quando tinha mais do que um resultado à disposição para seguir em frente: Légia e agora Setúbal. E pelo que se vai vendo no campeonato, é altura de admitir que, a menos que haja uma inversão rápida e profunda, esta equipa não está à altura das responsabilidades que contraiu com os Sportinguistas.

Um problema de estratégia(s)
À medida que a época evolui e os anos passam é cada vez mais claro que se o Sporting tem uma estratégia para imprimir as mudanças que o futebol português precisa ela não está a resultar. Bem antes pelo contrário, atendendo ao que se vai vendo. As reclamações, mesmo que muito sonoras, esgotam-se no momento em que a actualidade impõe o interesse numa nova ocorrência. É cada vez mais claro que é preciso fazer muito mais.

Estratégia é estabelecer  um plano, delinear um método para atingir um ou vários objectivos. Ora é público o isolamento em que o Sporting permanece e que, ninguém duvide, é muito difícil de contrariar. Por várias razões, incluindo o medo, porque quem detém o poder atrai apoios - antes o F.C.P, hoje o S.L.B. - ou pelo menos conta com o conformismo e a inacção dos restantes clubes. 

Uma forma de ir construindo esse apoio é - como sempre aqui foi defendido - trazer para o nosso lado os que não se revêm no status quo, construindo uma rede de interesses confluentes. Uns por convicção, outros por circunstância e mesmo oportunismo. Um excelente instrumento é justamente a formação, disponibilizando os nossos jogadores, que dessa forma possibilitam competitividade às equipas  dos clubes que os recebem a custos mais reduzidos. O que o Sporting, tem feito é justamente o oposto, como agora aconteceu com o Vitória de Setúbal e já tinha sucedido com o Arouca e com o Marítimo, por exemplo.

O caso mais recente com o Setúbal é também uma mancha para a imagem do clube, que ainda por cima fez questão de não esclarecer. A percepção pública é que o Sporting lidou mal com a derrota e de seguida retaliou ou, em linguagem popular vingou-se. E  o que parece é. Imagem essa agravada pela forma como trata os atletas, como uma mera possessão, como de um artigo se tratasse, o que colide com o discurso moralizador que publicamente assume divulga. E veremos se não sai prejudicado da birra, uma vez que ambos os jogadores pareciam ter encontrado as condições ideais para se valorizarem e evoluírem. Na confiança junto dos que agora ou no futuro receberão os nossos jogadores os danos já são irreversíveis.

É impossível levar a sério que a origem do término abrupto do empréstimo foram os cânticos dos atletas do Setúbal  e por estes serem desrespeitosos para com o Sporting. Embora tal não seja agradável de ouvir não deve ser levado assim tão a sério. Quem o faz não percebe nada do que é um balneário. Agora imaginem que os franceses tinham tido a mesma reacção quando cantamos, após o Europeu e na sua própria casa, "Foi o Éder que os f..." e desatavam a expulsar os imigrantes que lá vivem. Talvez assim se perceba melhor o absurdo da nossa posição.

Tenacidade, perseverança, convicção firmeza e coerência 
Coincidentemente ou não, as últimas vezes que o Sporting conseguiu ser campeão ocorreram precisamente quando conseguiu afrontar o status quo não apenas com palavras mas sobretudo com acções. Lembro o momento da criação da Liga de Clubes e respectivas eleições para os corpos dirigentes, quando conseguimos ter do nosso lado vários clubes ao ponto de obrigarmos Pinto da Costa e Manuel Damásio assumirem a aliança que sabíamos existir nos bastidores. Ou quando a acção de Dias da Cunha expôs o apito que havia de perder o banho dourado até enferrujar. Ambas as acções acabaram por se perder nas idiossincrasias de um clube incapaz de fazer prevalecer os seus interesses no exterior pelo constante degladiar interno.

É por isso que assisti com estranheza os elogios à arbitragem logo no inicio da época e reiterados ainda há quatro dias (!) na última entrevista ao Record, mesmo após o sucedido em Guimarães e com o SLB. Logo, quando anunciarmos as medidas que indiciam a nossa justa indignação e possível retaliação quem nos levará agora a sério?

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

A Taça CTT já tinha código postal

1. Depois do que viu hoje e ontem conclui-se com facilidade que a Taça CTT já tinha código postal. Não é apenas o penalty, foi toda uma segunda parte de nítida inflexão de qualidade e critério da arbitragem.

2- O Sporting não jogou nada. Agora que o jogo acabou é mais fácil dizer isto: se jogamos com os titulares para o jogo para a Taça porque não jogamos neste, se são ou eram as competições que mais probabilidades tínhamos de vencer?

3- Não posso dizer que o Setúbal mereceu, mas nós acabamos por lhes oferecer um presente de Reis antecipado.

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

O fim do tabu que nunca o foi e o regresso dos notáveis


Finalmente com uma réstia de tempo (mais ou menos...) para escrever, vou-me debruçar sobre os temas que recentemente ocuparam a atenção dos Sportinguistas e me captaram a atenção. Não falarei sobre o recente jogo com o Varzim porque, para lá da pobreza da exibição e da preocupação que ela suscita nada há de relevante a dizer sobre ele.

Bastaram seis dias para Bruno de Carvalho afastar as dúvidas sobre a sua própria candidatura. A essa decisão muito terá ajudado o aparecimento de um candidato, Pedro Madeira Rodrigues. A rapidez com aparece uma lista cheia de nomes para uma comissão de honra confirma que o tabu da recandidatura nunca o foi verdadeiramente. Sobre esta não só a vejo como natural como necessariamente saudável. É a forma mais democrática de sujeitar o mandato que agora termina à imprescindível avaliação dos sócios.  

Ora até agora ambas as candidaturas não produziram mais do que palavras de circunstância, bem como as habituais paradas e respostas, resultantes da marcação cerrada que cada um dos movimentos passarão a dedicar uma a outra. O que de mais relevante me chamou à atenção foi a já famosa “Comissão de Honra” pela sua composição e sobretudo pelo seu significado.

Composição 
Relativamente à sua composição há uma nota significativamente positiva que assinalo, que é a sua inclusividade e abrangência. Essa é uma característica que respeita a natureza do próprio clube e uma das razões da sua grandeza. Sobre a inclusão de elementos não Sportinguistas nem me pronuncio.

Há porém na composição da famigerada lista uma notável incongruência e inflexão que não pode deixar de ser assinalada, tendo em conta aquela que era uma das notas mais destacadas do discurso que trouxe Bruno de Carvalho e dos que lhe eram mais próximos. Isto leva-me a uma série de perguntas que me parecem não apenas oportunas mas imprescindíveis:

Era aquele discurso meramente circunstancial e por isso puramente oportunista, com o único objectivo de ganhar as eleições?

Como convivem na mesma lista nomes de pessoas que durante anos foram e acusadas  de autores e cúmplices de malbaratarem o património do clube com aqueles que os responsabilizaram por esses actos e puseram em causa a sua dignidade e honorabilidade?

É a integração de alguns elementos uma tentativa de pacificação ou uma mera tentativa de reabilitação de alguns dos seus integrantes?

Como é possível condenar mandatos de ex-presidentes e “absorver” e reabilitar aqueles que, no âmbito das funções que lhes estavam atribuídas, deveriam ter fiscalizado as suas actuações e não só foram coniventes como ainda emitiram pareceres favoráveis e quase sempre elogiosos?

Como é que passarão a partir de agora a ser apodados os elementos ligados às gestões anteriores, mas que agora o seu nome honra esta candidatura?

A lista tem estado em permanente actualização. Atendendo à presença de Paulo Paiva dos Santos ela tem que ser actualizada à noite e depois logo imediatamente pela manhã?

Significado
Porém mais importante que discutir a lista de forma nominal é o seu significado, até porque dela fazem parte nomes que se confundem com a história do Sporting. A sua simples constituição na candidatura de Bruno de Carvalho não pode deixar de ser uma surpresa, mas desagradável. Significa o regresso do conceito de notáveis, uma das marcas mais profundas e nefastas do período do chamado “Roquetismo”, um dos conceitos mais fracturantes entre os Sportinguistas.

Como foi notório para a generalidade dos Sportinguistas, muitos daqueles nomes do  passado, e juntamente com muitos do presente, tudo o que têm a dar ao clube: o nome numa lista. Sem convites-ofertas e outras prebendas não terão qualquer interacção com o clube. 

Muitos herdaram o Sportinguismo por inerência familiar e o clube não passa de uma qualquer propriedade que se visita em dias festivos e é encarado como um parente pobre e inconveniente nos momentos de maior necessidade. Muitos dos que estão nesta lista não alteraram este comportamento mesmo quando foram investidos nas funções de dirigentes.

Notáveis são todos aqueles adeptos que correm o país com as equipas às costas para lhes prestar apoio. Notáveis são aqueles que com sacrifício próprio e dos seus despendem recursos e energia para não deixarem as nossas camisolas ao abandono. Ainda mais notáveis são aqueles que não deixam ao abandono as parentes pobres do nosso desporto, as chamadas “modalidades”. Notáveis são todos aqueles que se entregaram de alma e coração ao clube sem saberem antes o que receberiam de volta.

Não posso por isso deixar de me espantar com constituição de uma lista deste género por parte de quem se anunciava como a mudança e em menos de quatro anos absorveu e respira os velhos procedimentos. O seu aparecimento tresanda a mofo e tem o enorme carimbo do antigamente.

Sempre entendi que a renovação que o Sporting precisava – e pelos vistos continua a precisar – não era de pessoas porque os Sportinguistas são insubstituíveis, apenas têm que estar nos lugares onde mais são úteis e capazes. Não precisava nem de uma revolução geracional ou de classes porque sempre foi inclusivo. O que o Sporting precisa é de uma revolução de mentalidades e de competência, que os resultados desportivos demonstram estar ainda por suceder. Precisa de um nível de exigência mais apurado e menos autocomiseração.Menos olhares para o quintal dos vizinhos, pelo menos até ao nosso estar devidamente arrumado e limpo.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Reforços, o que falhou?

Algures entre o final da época passada e até ao pontapé inicial da presente quem poderia vaticinar que quase a meio do campeonato o Sporting estaria tão longe do primeiro lugar? Mas não está apenas longe, ocupa o quarto lugar, a quatro pontos do segundo classificado? Tal quer dizer que, no momento em que estas linhas são redigidas, já não depende apenas de si para melhorar a sua classificação e tem atrás de si,  menor distância, a dupla minhota Vitória de Guimarães e Braga. Como entender esta decepção, que ocorre precisamente quando regista talvez o maior investimento da sua história, isto contando com aquisições e massa salarial?

Há duas respostas para a pergunta acima e estão umbilicalmente ligadas: as saídas de Slimani e de João Mário não encontraram reposta adequada na rol de entradas que se seguiram. De igual modo, apesar da escolha ter aumentado no número, o mesmo não se pode dizer relativamente à prontidão e qualidade. Isso é que se pode verificar pelo número minutos jogados pelos jogadores chegados este ano, com honrosa excepção de um jogador e meio: Bas Dost por inteiro, Campbell pela metade:


Para que se tenha uma ideia dos tempos de utilização em função dos compromissos até agora cumpridos, foram realizados 25 jogos, num total de 2.250 minutos e o jogador mais utilizado é William, com 2.013 minutos jogados. No quadro acima chamam a atenção os números de Alan Ruiz, um jogador que tarda a justificar a preferência e o custo envolvido. O facto do treinador não lhe ter confiado sequer um minuto que fosse na competição mais exigente, a Liga dos Campeões, diz alguma coisa e o tempo em que apostou nele, sem grande sucesso, pode ajudar a explicar porque não está encontrado melhor companhia para Dost no ataque. E se Campbell tivesse merecido a preferência e o mesmo tempo logo de inicio?

Que razões podem ter concorrido para este aparente fracasso nas contratações? Razões de quantidade, oportunidade e de qualidade seguramente, todas elas e não apenas uma, como abaixo se tentará explicar.

A quantidade
No final da época mercado, entre vendas e aquisições, o Sporting ficou com um plantel próximo das três dezenas de jogadores. Destes apenas são efectivamente convocados dezoito, o que deixa "fora-de-jogo" um valor muito semelhante. Um jogador que não compete com regularidade não oferece respostas imediatas, ao nível dos jogadores que o fazem. Os recém-chegados acumulam essa desvantagem não apenas com o desconhecimento das especificidades do nosso campeonato, mas sobretudo do quão exigente é o modelo de jogo de Jorge Jesus e o que este exige aos seus jogadores. O tempo de integração para muitos deles também não terá sido por isso o ideal e necessário, algo que escapou à análise no planeamento da época. Quando os compromissos mais importantes começaram a surgir ficou claro em quem Jesus confiou e de quem se socorreu: à excepção de Dost, aos jogadores que conhecia da época transacta.

Oportunidade
Aqui inscrevem-se questões de critério, relacionadas com as características dos jogadores, bem como das necessidades da equipa a colmatar. Ao contrário do que parecia à medida de que os nomes dos novos jogadores iam chegando, não houve uma substituição à altura para João Mário. Por outro lado, as opções para substituir jogadores nucleares na manobra colectiva não se revelaram eficazes quando chamados à titularidade. Isso ficou bem claro aquando da lesão de Adrien. E a companhia para Bas Dost está ainda por encontrar e afinar, estando ainda por perceber os problemas de Markovic, até agora a maior decepção. Acresce que é um pouco incompreensível que mais de 20 milhões de euros gastos e não se tenha resolvido o problema das laterais, cujo rendimento tem penalizado particularmente a equipa.

Qualidade
A questão sobre a qualidade dos reforços acaba por ser inevitavelmente questionada quando grande parte dos jogadores chegados no inicio de época recolhem tão pouco tempo de jogo em função do que era esperado. Apesar de tudo o que possa ser dito, apenas Meli me suscita dúvidas que resultam sobretudo do desconhecimento do seu valor. No mais a generalidade dos restantes, aquando da sua aquisição tinham aquilo que me parecia o essencial: potencial. Ora o futebol está cheio de exemplos de jogadores que não triunfam num determinado contexto e que noutro acabam ser felizes, muitas vezes de forma surpreendentemente, contra todas as melhores perspectivas. Exemplos que acontecem em clubes que se movimentam em nichos de mercados onde os valores a pagar tornam os falhanços quase proibitivos e por isso mesmo aparatosos, ao ponto de encherem cabeçalhos e primeiras páginas de jornais. Nos mercados a que o Sporting pode aceder a escolha é ainda mais reduzida, face à infinidade de clubes para tão poucos valores seguros que o dinheiro de cada um deles possa pagar.

Agora que se fala tanto em mercado, a próxima janela  será interessante para ver como o Sporting tentará resolver senão todos, alguns dos problemas que Jorge Jesus tem em mãos. O simples facto de os adeptos suspirarem por esta época quase tão ansiosamente como pelas prendas de Natal diz muito da decepção que o mercado de verão deixou em muitos deles e seguramente também em Jesus. Laterais e pelo menos um avançado para jogar fazer companhia a Dost é talvez a exigência menor. Perceber o que falhou para não voltar a repetir os mesmos erros é fundamental.

Nota: este artigo foi escrito ao abrigo de uma parceria do autor com o Portal FairPlay, onde poderá ler ainda sugestões de reforços para os lugares considerados mais prementes.

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Eleições: tiro de partida.

Com a apresentação da candidatura de Pedro Madeira Rodrigues dá-se hoje um novo tiro de partida para as eleições, depois da falsa arrancada de Paulo Paiva dos Santos. Mas se a arrancada se ficou pelos blocos, num momento algo caricato, saliento a prestação do seu irmão, saindo em sua defesa e puxando dos galões pelo passado e pelos serviços prestados e pondo alguns pontos nos "ii's" que me parecem serem merecedores de referência. Na síntese que se segue os sublinhados são meus.

Pedro Madeira Rodrigues tem um longo passado como sócio do Sporting mas, tal como muitos outros nas mesmas condições, é um desconhecido para a maioria dos Sportinguistas. Será essa uma das maiores dificuldades a ultrapassar. Como hoje Bruno de Carvalho saberá melhor do que ninguém, terá na tradicional desconfiança como os "desconhecidos" são recebidos uma das maiores barreiras a saltar. Aguardemos pelas ideias e pela equipa para formular juízos. Para começar temos hoje a apresentação da candidatura. Sendo essencialmente uma formalização não deixa de ser importante. Como dizia Aaron Burns nunca temos uma segunda oportunidade para causar uma primeira boa impressão.

As noticias sobre dúvidas na recandidatura de Bruno de Carvalho são como as da morte do Mark Twain ou do Bonga: manifestamente exageradas. Ele sabe que tem as eleições praticamente ganhas: Como tenho dito, mais do que um candidato proponente ganhá-las será ele a perdê-las, como quase sempre acontece a um candidato da situação. O que me recuso a acreditar como sendo palavras suas é uma pretensa queixa pela militância dos Sportinguistas, como hoje vi no Record. Não deve haver muitos clubes que se possam gabar da fidelidade dos seus adeptos (o que é até reconhecido até pelos nossos rivais) apesar da escassez e triunfos. Não é seguramente pelos adeptos que tal acontece.
Ainda não está confirmada mas são cada vez maiores os rumores da candidatura de João Benedito. Fosse apenas pelos serviços prestados ao clube e a forma exemplar como sempre esteve de leão ao peito seria difícil de bater. Mas ser presidente são outros quinhentos.

A notória incomodidade e a má recepção que está a ser feita a outras candidaturas por sectores muito próximos de Bruno de Carvalho é um mau serviço prestado ao clube. A pluraridade de ideias e igualdade de oportunidades deve ser uma marca do clube que nos distingue das dinastias Vieiristas, Pintocostistas. Assim como não deve ser esquecido o período de candidaturas únicas, cooptações e outros unanimismos e o a que isso nos conduziu. Só quem tem direitos e alcavalas que tem como adquiridos é que tem que temer novas ideias e uma possível mudança. E esses são muito poucos, pelo que é um receio que não se justifica na maioria de nós.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Belenenses 0 - Sporting 1: quase que nos saía a fava no pastel

O Sporting foi ao Restelo fazer um jogo à imagem da época 2016/17: cheio de promessas de bom futebol que, com o passar do tempo, se transforma em futebol previsível e fácil de anular. O que se explica em parte porque o adversário conhece as nossas movimentações e porque a falta de confiança tolhe os nossos jogadores, tornando o nosso jogo mecânico e pouco criativo.

Por coincidência feliz, o Belenenses só não consegue o que se propôs - o tal nulo - porque o Bas Dost fica ligeiramente atrasado no acompanhamento do lance, por via de uma acção de um jogador do Belenenses. É assim que acaba por se gerar a imprevisibilidade que a criatividade dos nossos jogadores não produziu. Um pequeno mas importante exemplo para deixar Jesus a meditar sobre o que tem inevitavelmente que conseguir dar a equipa para que ela esteja mais forte não só para enfrentar conseguir sair deste mau momento, mas também o resto dos desafios que tem pela frente.

Alguns dados estatísticos que servem para reforçar as dificuldades que o Sporting está a ter no seu jogo ofensivo:

- Há cinco jogos consecutivos que o Sporting não consegue marcar na primeira parte, o que já aconteceu por 6 vezes em 15 jogos.

- Apesar de ter entrado na área adversária por 42 vezes (!), só efectuou 12 remates e desses apenas 7 seguiram em direcção à baliza.

- O intenso dominio que a posse de bola (65%) revela não se traduz em ocasiões de golo (7)

Do ponto de vista individual parece-me cada vez mais claro que Campbell tem que jogar, porque é dos poucos que consegue criar jogo de qualidade de forma espontânea e imprevisível e ainda assim assistir. Gélson faz tudo bem até chegar o momento de tomar uma decisão como entregar a bola. E aí, seja o cruzamento largo ou assistência no pé ou no espaço a bola perde-se invariavelmente no vazio ou nas pernas do adversário. Talvez dizer isto seja um pouco injusto para um jogador tão jovem e que ainda por cima deve ter o melhor número de assistências. O Sporting precisa de mais, muito mais.

De um modo completamente diferente, a actuação de Alan Ruiz sugere uma reacção semelhante. Ter bom remate e assistir em passes ou triangulações tem de acontecer mais vezes. Mas não é apenas a frequência, é também a velocidade de pensamento e execução.  É também o baixo nível de intensidade que põe nas suas acções. É um pouco por isso que a ligação com Dost funciona ainda em modo pisca-pisca, e são muitas as vezes que não pisca. O que era suficiente no futebol sul-americano é de menos do lado de cá. Desse facto se recente a produção de Bas Dost, quase sempre sem ser servido com qualidade, no que é responsabilidade não apenas de Alan Ruiz mas de toda a equipa.

Não podia terminar as notas individuais sem falar de Beto. Quando as coisas tremeram foi ele que segurou, como se estivesse lá o Patrício. Não lhe poderia fazer melhor elogio.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Já conhece o Sr. Critério, pai do menino Colinho?

O Sr. Critério é um cavalheiro muito bem apessoado, elegante até. Muito bem de vida, sempre sensato nas escolhas, é de uma coerência a toda a prova e confiável acima de qualquer suspeita. Tanto assim é que é mais fácil o Pedro Guerra passar pelo arco da Rua Augusta que o Sr. Critério ser apanhado em contradição. 

Antes que esta analogia sirva de inspiração, recomenda-se porém que o comentador não cometa a imprudência de arriscar tal proeza. Se o objectivo é ver a estátua de D. José no Terreiro do Paço ou a frente do referido arco agora de higiene feita, sugere-se a saída de perfil  pela A5, até Cascais (com o aviso prévio à Brisa, para retirada das cabines de portagem, bem como dos pórticos) com operação de desembarque em frente ao Cais das Colunas, a ocorrer apenas por razões de segurança durante a praia-mar.

Para os que temem um possível encalhe, lembro o Tolan, cujo bojo a espreitou três anos a fio pela linha de água do Tejo e provocou as delicias mirones, engenheiros e doutorados em achismo. Imagine-se agora os benefícios que traria ao turismo lisboeta em expansão o efeito visual majestoso do preeminente e proeminente comentador ancorado em frente à Ribeira da Naus e o negócio fervilhante que se desenvolveria em seu torno: estúdios anfíbios da TVI, vai-vem de cacilheiros, faluas, cangueiros, botes, fragatas, canoas e catraios para satisfazer a demanda. (Devia ter ido à Web Summit apresentar esta ideia).

Tudo muito mais vantajoso do que ter um comentador televisivo atravancado entre as colunas do monumento e o trabalho que daria ao Regimento de Sapadores Bombeiros. E não sabendo da operacionalidade do Regimento de Engenharia 1, que em 2014 foi deslocado da Pontinha para Tancos, e  como a Escola Prática de Engenharia mudou também de Tancos para Mafra, o melhor mesmo é não arriscar. Logo agora que o Palácio das Necessidades vai ser concluído, ninguém quereria que o Arco lhe sucedesse no nome e muito menos no odor que o nome suscita.

Esta mania de derivar a conversa para um tema que nada tem a ver com o tema do artigo apanhei-a por contágio. Não sei se a ver os nossos laterais a jogar (?) ou se depois de ver o Nuno Rogeiro dissertar sobre as implicações geo-estratégicas de um pão-de-ló da Filipa Gomes por desenformar, em simultâneo com o estranho êxito de vendas de camisolas de gola alta em aço nas zonas sobre a influência do Daesh.

(Se não sabe quem é a Filipa Gomes responda para o e-mail do blogue e receberá uma proposta de adesão à MEO. Só faço isto porque eles patrocinam as nossas camisolas, claro. Espera, estão-me a dizer aqui ao lado que me enganei no nome. Não é Filipa Gomes? Hã? Esquece... Se não sabe o que é o Daesh diga que é primo do Putin, afilhado do Obama ou sobrinho do Assad.)

Estava a falar do Sr. Critério antes de ser interrompido pelo Pedro Guerra que, como todos sabem é metediço e não deixa ninguém falar. Mas o blogue é meu e por isso enquanto o conseguir manter de açaime vou tentar acabar isto. Para o manter entretido puzio não a brincar com búzio, como vocês já estariam à espera, mas a tomar conta do Colinho, para o miúdo não estranhar. O Colinho é filho do Sr. Critério e ambos conhecem-se de há muito. Não o pai e o filho, que obviamente se conhecem, mas o filho e o comentador.

Pois, o Sr. Critério gosta de futebol como todos nós e quem não gosta de futebol que se f... Hã, não posso dizer? Mas tem algum mal dizer que quem não gosta de futebol que se faça à vida e procure outro blogue? Pois! Também me parecia.

Como dizia, o Sr. Critério gosta de futebol, mas isso é dizer pouco. É ele decide se o Artur Soares tem Dias, se o Manuel vai de Mota, se o Fábio é mesmo Veríssimo, se o Bruno apita a sua Paixão ou se o João se fica pela Capela ou vai aos finos à Catedral.  Sim, fino e não imperial. Imperiais é a mania de grandeza dos lisboetas, imperial é o Leão no cima da estátua na Rotunda da Boavista.

É também ele, o Sr. Critério, que lhes diz se é braço ou mão, intencional ou casual, mesmo que pareça um daqueles números de circo, em que a bola passa de uma mão para outra. Vai até mais longe, chegando às aulas de anatomia: "Por favor, não se esqueçam que o Nélson Semedo tem ombros até ao cotovelo!".

Ah, e o Sr. Critério é muito rigoroso nas suas avaliações. Arbitrar mal, aquilo que nós, na gíria do futebol, chamamos roubar, é avaliado pelo famoso "parâmetro BEBA & PIF" (acrónimo de BES/BPN/BANIF". Isto é, a menos que o engano seja superior à soma dos prejuízos acumulados por aquelas entidades bancárias de renome na praça, a nota a atribuir ao árbitro terá sempre que ser positiva. Não posso concordar mais, o que é afinal um penalty duplo no mesmo lance comparado com um rombo, prejuízo, buraco, desvio, desfalque de vários mil milhões de euros que vamos ter que pagar até ao fim das nossas vidas?

*como tinha prometido no post anterior, resolvi falar sobre arbitragem. Gostem ou não do resultado, o melhor mesmo é fazê-lo a brincar

domingo, 18 de dezembro de 2016

Sporting 0 - SC Braga 1: O Natal como o conhecemos

Uma das piores exibições desde que Jesus assumiu o comando técnico da equipa do Sporting redundaria numa derrota pesada e talvez excessiva, mas que pune a ineficácia dos nossos jogadores.  A quantidade de passes falhados anulou completamente a possibilidade de ligar o nosso jogo, impedindo que a bola chegasse com qualidade ao último terço. 

Mérito para os visitantes, que souberam condicionar muito bem as nossas peças fundamentais que, ao reduzir o tempo de posse de bola e os espaços, obrigou os nossos jogadores a errar mais do que estamos a habituados. E ainda beneficiaram das oportunidades mas claras, ao contrário da nossa equipa que chegou à baliza sempre aos repelões, sem grande qualidade para ter sucesso.

De forma algo surpreendente - confesso a minha surpresa - o campeonato é agora pouco mais de que  uma miragem, remetendo-nos para outras épocas natalícias. Como não podia deixar de ser, também para não estranharmos, o golo tinha que ser marcado por Wilson Eduardo ou em alternativa teria que ser o Rui Fonte. E no banco estava o Abel. A tempestade perfeita.

Propositadamente não vou falar de arbitragem, deixo isso para amanhã. Até porque quem joga tão mal e faz tão pouco para vencer o jogo invocar a arbitragem fica sempre a saber a desculpa. Quando falhamos tanto temos que admitir que o árbitro também pode errar.

sábado, 17 de dezembro de 2016

Quem é Nélio Lucas e como a Doyen lucrou 300% com o Sporting





O Expresso continua a publicar artigos relacionados com o Football Leaks. Este está directamente relacionado com o Sporting, embora até agora sejam Benfica e Porto os principais protagonistas. No decurso da próxima semana actualizaremos este dossier.
A misteriosa Doyen que lucra 300% com o Sporting

Pense num negócio com margens de lucro superiores a 500%. Não haverá muitas atividades com esses níveis de rentabilidade. Mas há um negócio, que move paixões, onde semelhantes margens estão a ser conseguidas. É o futebol, que faz vibrar milhões de fãs. Nos bastidores, há centenas de atores pagos a peso de ouro. Se o nome Kondogbia não lhe diz nada, talvez também não saiba o que é a Doyen. Seja bem-vindo à história de um dos fundos mais influentes na história recente do futebol europeu, que só num negócio com o Sporting teve uma margem de lucro de 300%. Mas já lá iremos.

Geoffrey Kondogbia é um futebolista francês de 23 anos contratado pelo Sevilha em 2012 por €3 milhões. O dinheiro veio de uma empresa que nascera um ano antes, a Doyen Sports Investments (Doyen), como mostra a investigação Football Leaks, coordenada pela rede EIC-European Investigative Collaborations, a partir de documentos obtidos pela revista alemã “Der Spiegel”. A Doyen ficou com 50% dos direitos económicos de Kondogbia. Para ter os restantes 50%, o Sevilha prometeu pagar à Doyen €1,65 milhões, mais prestações de €150 mil ao ano até que o jogador fosse vendido a outro clube. Na prática, o Sevilha obteve um empréstimo de €1,5 milhões, com juros de 10% ao ano. Sim, 10%.

Este seria um modelo de negócio que se repetiria em várias transações, oferecendo aos clubes sem liquidez uma alternativa ao tradicional, mas cada vez mais fechado, financiamento bancário. A Doyen cobrava aos clubes um juro de referência de 10% para lhes emprestar dinheiro. Dinheiro esse que era avançado pelos acionistas da Doyen a uma taxa indicativa de 4,5%. Com este diferencial de juros a empresa fazia uma parte dos seus ganhos. Era como um banco exclusivo para clubes de futebol.

O contrato com o Sevilha foi um dos primeiros. No pior dos cenários, se outro clube não adquirisse os direitos de Kondogbia até 2015, a Doyen receberia do Sevilha €3,45 milhões. Mas não foi isso que aconteceu. Em agosto de 2013, Kondogbia foi contratado pelo Mónaco, que pagou €20 milhões, o valor da cláusula de rescisão. A empresa, que tinha 50% dos direitos, encaixou €10 milhões. O que deu um lucro de €8,5 milhões em apenas um ano: uma rentabilidade do capital investido de 567%, antes de descontadas as comissões. O agente de Kondogbia, Jonathan Maarek, assegurou à rede EIC que a Doyen “nunca teve qualquer influência nas escolhas desportivas” sobre o atleta.

Em junho de 2014, a Doyen transferiu €1,3 milhões a uma empresa sua parceira, a Denos Limited, instalada no paraíso fiscal de Ras Al Khaimah, nos Emirados Árabes Unidos. A verba é justificada, nos documentos que o Expresso consultou, por serviços de consultoria prestados pela Denos nas transferências dos futebolistas Kondogbia, Falcao e Miguel de las Cuevas. A Doyen não respondeu às questões colocadas pela rede EIC sobre os negócios com Kondogbia.

A Doyen (que tem sede em Malta e escritório em Londres) e a Denos (que opera no Dubai) partilham uma história comum: a de que nas milionárias transferências de jogadores de futebol os intermediários fazem-se pagar bem e muitas vezes trabalham em rede, recorrendo a paraísos fiscais e a estruturas que permitem ocultar o rasto do dinheiro.

A Doyen é liderada pelo português Nélio Lucas. A Denos faz muitos dos seus negócios por intermédio de Amadeu Paixão, outro agente português que explora com Nélio Lucas a empresa britânica Principal Sports Management, que por seu turno presta serviços à Doyen. Amadeu, de 64 anos, é um dos mais experientes intermediários portugueses. Nélio, aos 36 anos, é um dos mais ambiciosos empresários do futebol europeu.

E agora veja como um dos maiores negócios de sempre do Sporting se transformou, paradoxalmente, num dos seus piores pesadelos. Falamos de Marcos Rojo... que renderá à Doyen €12 milhões. Mais juros.

O caso Rojo

Em julho de 2012, o Sporting contratou o futebolista argentino Marcos Rojo ao Spartak de Moscovo, oferecendo ao clube russo €4 milhões. Desse valor, €3 milhões foram financiados pela Doyen, que ficou com 75% dos direitos económicos do jogador. Além disso, o fundo financiou €1,5 milhões para a contratação do marroquino Zakaria Labyad, e um empréstimo de curto prazo de €1,57 milhões (mais €175 mil em juros).

No negócio com o Sporting a Doyen salvaguardou-se: por um lado, o fundo garantia que, qualquer que fosse o futuro de Rojo, receberia pelo menos €4,2 milhões pelos seus 75%; por outro lado, estipulava-se que se algum outro clube oferecesse pelo menos €8 milhões por Rojo, o Sporting deveria aceitar ou, não o fazendo, compensar o fundo. Um contrato tirado a papel químico do de Kondogbia: se terceiros oferecessem o dobro do investimento feito pela Doyen, qualquer que fosse a vontade do clube, a empresa de Nélio Lucas podia obrigar o clube a devolver-lhe o capital investido e, em cima disso, um retorno de 100%.

Os negócios de Nélio foram feitos com um Sporting em situação de emergência financeira. A direção de Luís Godinho Lopes já tinha alienado uma parte dos direitos económicos dos jogadores do clube ao BES e ao BCP. Pouco antes de sair do clube, em 2013, Godinho Lopes mandatou o agente Amadeu Paixão para vender o avançado Ricky van Wolfswinkel (cujos direitos eram detidos em partes iguais pelo Sporting e pelo fundo irlandês Quality Football). Os ingleses do Norwich ofereceram €10 milhões. A comissão de intermediação foi fixada em €500 mil, cuja faturação Amadeu Paixão deixou a cargo da Denos. Mas o Sporting só pagou metade, considerando que o resto devia ser pago pela Quality Football. E a Denos processou o Sporting no Tribunal Arbitral do Desporto na Suíça.

Mais tarde veio um novo processo. Em agosto de 2014, o Sporting vendeu os direitos de Marcos Rojo ao Manchester United por €20 milhões. Descontando €4 milhões para o antigo clube de Rojo (Spartak), caberia à Doyen €12 milhões (o que dava um lucro de €9 milhões, ou 300%, em apenas dois anos). Só que o Sporting decidiu rescindir o contrato e apenas restituir ao fundo os €3 milhões investidos em 2013. Mais tarde a FIFA abriria uma investigação sobre este caso.

A Doyen processou o clube na Suíça e um acórdão de dezembro de 2015 deu razão à empresa, condenando o Sporting a pagar €12 milhões. O Sporting recorreu para o Supremo Tribunal da Suíça, argumentando que a sentença obriga os leões a pagar “juros usurários” e “valida contratos que violam direitos fundamentais dos jogadores”, lê-se no último relatório e contas do clube. Esta quinta-feira, o Sporting informou que o Supremo confirmou a sentença de primeira instância, condenando o clube a pagar €12 milhões mais juros.

O conflito ilustra os dilemas da indústria do futebol. Para quem defende os fundos, como Nélio Lucas, há dois grandes argumentos. Por um lado, o financiamento ajuda os clubes menos abastados a contratar jogadores melhores. Por outro lado, quando um fundo lucra com a valorização do investimento feito num jogador, também o clube sai a ganhar com a sua transferência. “Os clubes ricos são cada vez mais ricos, por isso a competição é cada vez mais injusta e desvirtuada”, lembrou Nélio Lucas numa conferência em Madrid no ano passado. A outra face da moeda é que quanto maior o peso dos fundos, menor é a autonomia dos clubes na gestão do seu futuro. No final de 2014, a FIFA pôs em marcha um plano para acabar com este modelo de financiamento (“third party ownership”, ou TPO), banindo-o a partir de maio de 2015.

O fim do mundo? 

A proibição de novos TPO fez soar os alarmes. Várias empresas estavam focadas no negócio de investir no passe de um futebolista e num par de anos embolsar o dobro ou o triplo. Mas os gestores destes fundos rapidamente pensaram noutras formas de ganhar dinheiro, como o investimento direto nos clubes (e não nos jogadores) ou negócios de titularização de direitos televisivos e direitos de imagem (em que um fundo adianta ao clube o dinheiro desses contratos, com um juro associado).
Mas é ainda cedo para decretar o fim do mundo para os fundos que investem no futebol. No caso da Doyen, a empresa tem interesses económicos em vários atletas em Portugal. No Benfica, detém 50% dos direitos económicos do jogador Ola John, fruto de um acordo de dezembro de 2012. Em agosto desse ano, o Benfica tinha adquirido os direitos ao clube holandês Twente por €9,15 milhões. Em dezembro, a Doyen comprou ao Benfica metade do passe por €4,6 milhões. Mas garantiu que, qualquer que fosse o futuro de Ola John, o Benfica teria de lhe entregar pelo menos €5,95 milhões. O valor ainda está por pagar.

Este é, tanto quanto sabemos, o único contrato ativo da Doyen com o Benfica. Mais a Norte a empresa tem tido resultados interessantes. No Futebol Clube do Porto (FCP) o fundo de Nélio Lucas teve em 2014 um dos seus melhores negócios: uma rentabilidade superior a 300% no investimento feito no futebolista Mangala. Em dezembro de 2011, a Doyen tinha adquirido 33% dos direitos do atleta francês por €2,6 milhões, quando Mangala chegou ao FCP. Em julho de 2014, o FCP vendeu os direitos do futebolista ao Manchester City por €30,5 milhões. Negociando separadamente com o clube inglês, a Doyen encaixou quase €11 milhões. Por seu turno, o agente Jorge Mendes, como intermediário, ganhou €4,2 milhões. A FIFA pediu esclarecimentos ao FCP, admitindo que o facto de a Doyen negociar a sua posição com o Manchester City indiciava que o fundo podia condicionar a venda do jogador (contra os regulamentos da instituição). No campeonato inglês os clubes têm de deter 100% dos direitos dos atletas. Logo, se a Doyen não aceitasse vender a sua parte, o FCP não conseguiria transferir Mangala para Manchester. Mas o negócio fez-se.

Outros jogadores do FCP em que a Doyen adquiriu direitos económicos foram Steven Defour, Radamel Falcao, Brahimi e Sérgio Oliveira. Em todos eles os contratos foram feitos de modo que a Doyen tivesse sempre lucro, independentemente de o clube conseguir ou não valorizar os futebolistas. Na aquisição pelo FCP do francês Imbula, por €20 milhões (a mais cara contratação de sempre dos dragões), chegou a especular-se que a Doyen teria financiado metade desse valor, mas o FCP assegurou à FIFA ser detentor da totalidade dos direitos do atleta.

Nélio Lucas teve distintos negócios com os dragões: em 2014 a Vela Management (por ele administrada) ganhou uma comissão de €840 mil na transferência de Otamendi para o Valência, tendo ainda firmado com o clube um contrato de prospeção de talentos por €300 mil. Ora, foi através desta mesma Vela que a empresa Energy Soccer, de Alexandre Pinto da Costa, faturou €700 mil pela transferência de Casemiro do Porto para o Real Madrid. A Energy Soccer é um dos parceiros privilegiados da Doyen em Portugal. Em fevereiro de 2015, o FCP obteve um empréstimo de €3 milhões do Banco Carregosa parcialmente garantido pela Doyen.

O grupo Doyen assume-se como “um dos principais atores da indústria de entretenimento desportivo”. A empresa não divulga no seu site os resultados financeiros que obtém. Mas as informações obtidas na investigação Football Leaks indiciam que a Doyen já terá investido mais de uma centena de milhões de euros no futebol e marketing desportivo. O Twente, na Holanda, e o Atlético Madrid, em Espanha, além dos clubes portugueses, foram alguns dos alvos da máquina de fazer dinheiro liderada por Nélio Lucas e financiada pela família Arif. Quem? Explicamos-lhe já de seguida. *European Investigative Collaborations



Nélio, o superagente improvável

Quem é o português à frente da Doyen que em dez anos “passou de contar tostões para contar milhões”?

Em março de 2000, Nélio Lucas foi caçado a conduzir sem carta e pagou uma multa de €319. Em novembro de 2000, passou um cheque sem cobertura e pagou uma multa de €600. A 29 de novembro de 2000, passou outro cheque sem cobertura e pagou uma multa de €720. Em 2002, cometeu um delito fiscal, foi julgado pelo mesmo em 2005 — e pagou uma multa de €1190 em maio de 2007. Em agosto de 2015, dez anos e €2929 depois, assinou um contrato para comprar um iate no valor de €3,2 milhões através de uma empresa de Malta.

Em pouco mais de uma década, Nélio Lucas saiu da Aldeia da Mata para a ilha de Malta, e para as offshores, e hoje é o CEO do fundo mais global e diversificado a operar no futebol: a Doyen Sports Investment. É uma história invulgar que nos traz à cabeça o ideal e o ideário do american dream, o sonho americano à portuguesa de um rapaz obviamente inteligente, mas pobre, filho de dois pequenos agricultores de um lugar de Condeixa-a-Nova, que partiu para os EUA à procura de uma vida melhor. Este é o seu perfil, feito através do cruzamento de artigos de jornais com fontes próximas e com a análise aos documentos do Football Leaks — e revela o percurso improvável deste agente.

O caminho

Coimbra, Aveiro, Cape Canaveral, na Florida, Beverly Hills, em Los Angeles, Madrid e Londres. Nélio Lucas esteve em todo o lado e conheceu toda a gente; ou, pelo menos, diz ter estado em todo o lado e conhecido toda a gente, gente importante como Mariah Carey ou Bruce Springsteen, do qual foi road manager na Creative Artists Agency — revelou-o ao “Libération”, numa rara entrevista em que ele conta aventuras do seu passado. Uma delas é esta: Nélio garante ter feito um teste de QI cujos bons resultados o levaram a trocar a família e a Mata por uma família de acolhimento na Florida; não foi possível confirmar esta informação. Outra: Nélio diz ter estudado comunicação, marketing e política internacional na Universidade da Califórnia (UCLA), em LA; contactada pelo Expresso, a instituição assegura não ter nos “seus registos” nenhum “aluno com o nome de Nélio Lucas” ou “Nélio Freire Lucas”, de seu nome completo.

Vamos aos factos comprovados: aos 18 anos, em 1997, abriu uma empresa chamada 100% Produções Arte & Espectáculo para organizar festas e outras variedades, e, depois, a L.D. World Football Management, com a qual inaugurou o novo estádio do Beira-Mar, em 2003. Aveiro ter-lhe-á ficado na cabeça, porque foi lá que apareceu outra vez como representante da britânica Stellar Group, de Jonathan Barnett, um agente que dividia a meias um negócio com Pini Zahavi, o superagente original. A ideia era simples: colocar jogadores ingleses no Beira-Mar. Correu mal para o clube, que desceu de divisão, mas bem para Nélio, que começou a colaborar com Zahavi na Soccer Investments & Representation (SIR). Em Londres.

“Durante nove anos”, disse Nélio ao “Libération”, “trabalhámos juntos. Ele tinha contactos em Inglaterra, eu no resto do mundo; eu encontrava os jogadores que ele procurava e fechava o negócio”. Ganhava 450 mil euros por ano, mais 10% por cada contratação. Pelo meio, Nélio também fez uma perninha como “técnico em gestão de casting de atores”, e há um vídeo a correr na internet em que este é entrevistado a propósito disto mesmo.

As offshores

Em 2010, Nélio decidiu separar-se de Zahavi, e, em 2011, esteve na origem do aparecimento do fundo Doyen Sports Investments, o braço ‘desportivo’ da Doyen. Nélio conhecera o filho do dono do grupo, Refik Ari, nos EUA, tornaram-se íntimos e quando o fundo quis diversificar a sua atividade o português foi chamado para dar a cara. Segundo conta um amigo, terá sido a própria Doyen a pagar “um milhão de euros a Zahavi” para a rescisão do contrato. Nélio juntou-se a Amadeu Paixão, um misterioso português radicado em Inglaterra, e a Juan Manuel López e Mariano Aguilar, ex-jogadores do Atlético de Madrid dos tempos de Paulo Futre.

Os quatro fundaram a Assets 4 Sports, em Espanha, pela qual receberiam os pagamentos da Doyen Sports Investment. Nélio, Amadeu, López e Aguilar trabalhariam numa espécie de regime freelance para o fundo. Em 2011, a Assets 4 faturou 150 mil euros e 75 mil euros em 2012; em 2013 a Assets 4 foi extinguida quando Nélio e a sua entourage optaram por sociedades offshore: a Vela, a Principal Sports Management, a Wood Gibbins & Partners Limited, a Denos, a Rixos a PMCI, um complexo esquema de empresas em paraísos fiscais pelas quais passaram a ser feitos os pagamentos relativos às comissões mas também aos custos do ofício, como viagens ou estadias.

Foi através da Wood Gibbins & Partners Limited que Nélio assinou contrato para comprar o tal iate de 3,2 milhões de euros, por exemplo; sobre a Vela, detida a 50% por Nélio e outros 50% por Aguilar, o Football Leaks demonstra que cada um deles recebe 450 mil euros anuais e 10% de comissão sobre os jogadores transacionados. Foi igualmente pela Vela que Nélio pagou a festa do seu 35º aniversário, em Londres, que custou €162 mil, com uma lista de convidados a fazer lembrar uma gala da FIFA. Basicamente, constavam lá todos os que são alguém.

Um salto quântico. Em menos de dez anos, Nélio Lucas passou a viajar em jatos privados, a frequentar as festas mais exclusivas nos lugares menos inclusivos, a dar-se com Florentino Pérez, presidente do Real Madrid, ou Adriano Galliani, CEO do AC Milan, a ter lugar nos camarotes do Barcelona, Benfica, FC Porto, Real Madrid, na O2 Arena, a almoçar nos melhores restaurantes com os melhores diretores desportivos e a dar bacalhaus aos melhores futebolistas do mundo. E, segundo Nélio ao “Libération”, a servir como um facilitador de negócios expedito, dando conselhos aqui e acolá pelos quais também cobra — ou tenta cobrar.

Em Portugal, este benfiquista dos sete costados amigou-se com Alexandre Pinto da Costa, filho do presidente Pinto da Costa, com o qual intermediou o negócio de Imbula, do Marselha para o Dragão. Ambos são vistos em jantares na zona de Matosinhos, nos quais Nélio, que tem um fraco por mocassins de pele de crocodilo e por relógios caros, come habitualmente bacalhau ou polvo sem tocar numa gota de álcool. Ele gosta da ostentação. Recentemente, num colóquio internacional sobre fundos e futebol, Nélio foi convidado para ser um dos oradores principais e interveio via videoconferência diretamente de uma piscina. Um conhecido de longa data resume-o: “Deixou de contar tostões para contar milhões.”

Este é Nélio Lucas, o mais curioso e ambíguo dos superagentes. E é português.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Mudanças com o videoárbitro? Esperem sentados.

Mais tarde ou mais cedo as novas tecnologias acabarão por chegar ao futebol, quanto mais não seja por fenómeno de arrastamento provocado pela sua adopção e respectivos benefícios por outras modalidades igualmente populares à escala mundial. Falta apenas saber quando e com que grau de profundidade. Ficar-se-á apenas pelas "bolas inteligentes" capazes de nos dizerem se foi ou não golo ou se avançará para a análise de lances de maior complexidade é o que falta ainda estabelecer.

É verdade que os primeiros testes efectuados esta semana não podiam correr pior para a credibilidade das soluções, o que colide precisamente com os objectivos pretendidos: justiça desportiva e transparência. Mas estamos ainda a dar os primeiros passos e, a menos que não seja essa a vontade das cúpulas, ou não haja o bom senso indispensável, as tecnologias de apoio à decisão dos árbitros acabarão por ser uma realidade. É igualmente imprescindível muito rigor para as soluções a implementar estejam acima de qualquer suspeita para que o seu uso não tenha exactamente o efeito oposto ao pretendido.

Há no entanto que o dizer com toda a clareza, até para que as expectativas não sejam defraudadas: as novas tecnologias não substituirão a soberania na decisão dos árbitros, não mudarão nada na apreciação do respectivo trabalho por parte dos observadores, não farão as nomeações, não designarão os internacionais, etc, etc. Como certamente já perceberam estou a referir-me a aspectos muito particulares do futebol português que, permanecendo como estão, tornarão a introdução das tecnologias no futebol numa inutilidade.

Para sustentar a afirmação feita no parágrafo anterior socorro-me do sucedido no último dérby. Basta ver o que disseram comentadores e sobretudo árbitros consagrado sobre a evidência dos lances para se perceber como a classe está comprometida com interesses de terceiros ao ponto de não possuírem condições essenciais ao exercício da função de julgar: independência e imparcialidade. E que dizer da nota do árbitro, quando quem o avalia fica indiferente ao que observa na televisão?

O Sporting fez deste tema uma importante bandeira, apropriando-se de um tema que já vinha de há muito (e que conheceu desenvolvimentos a partir do Mundial de 2010 ) mas sem lhe dar grande profundidade, porque é claro que há outras decisões complementares a ser ponderadas. Mas esqueceu-se deste "pormaior" que é afinal o ecossistema do futebol português e por isso os principais problemas que contribuem para a suspeição de que enferma continuam exactamente como estavam. E assim continuarão com ou sem tecnologias.

Eu sei que é mais fácil ir discursar lá fora, mas é cá dentro que as mudanças têm que ser levadas a cabo. E sei também como elas são difíceis de acontecer, mas todos os dias sem dar um passo são dias perdidos. O que conseguimos realmente mudar nestes últimos quatro anos? O que fizemos de facto para promover a mudança, se considerarmos que não a podemos fazer sozinhos? O nosso discurso e e postura promovem as alianças que precisamos? Quantos aliados podemos conquistar para esta causa?

Para consumo interno (clube) e para estratégia de poder manifestar indignação pelo inclinação dos relvados em momentos decisivos resulta, mas a longo prazo não muda nada. E não ter mudado nada é afinal a constatação de que como a estratégia até agora seguida não está a resultar.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Doyen: uma derrota esperada

Sem surpresa o Sporting acabou de comunicar que a decisão final do caso "Doyen/Rojo" está tomada, em desfavor do clube. Há ainda diferentes interpretações do valor total a pagar mas que nunca será inferior aos 12 milhões, embora seja muito provável que seja mais. Continuo a pensar que este caso poderia ter sido gerido de forma diferente, menos onerosa para o clube e que esta decisão do tribunal de certa forma confirma que a estratégia não foi premiada. A este propósito mantenho o que disse na altura da primeira decisão e que pode ser lido aqui [LINK]

Felizmente a verba está provisionada antecipadamente - que não é o mesmo que dizer que está paga nem mesmo sequer haver liquidez para o fazer - pelo que o impacto desta decisão está atenuado e é altura de virar a folha e passar adiante, embora seja necessário o inevitável apuro de responsabilidades. Mas  transformar esta derrota numa vitória, como parece o tom geral dos comentários que se vêm na página de FB onde a noticia foi dada a conhecer é fazer um pouco a figura do ministro iraquiano da propaganda, quando reclamava vitória iminente quando as tropas americanas já passeavam nos arrabaldes de Bagdad. Haja decoro!

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Setúbal 0 - Sporting 1: Companhia holandesa assegura o bilhete para mais uma viagem

É muito provável que amanhã já ninguém se lembre deste pormenor, mas a vitória neste jogo e correspondente passagem ao quartos-de-final começou no momento em que Jorge Jesus resolveu não fazer as tradicionais rotações de jogadores, nomeadamente as do guarda-redes. Pois se não fosse Patrício, um dos melhores do mundo na sua posição no 1x1, e teríamos tido uma noite bem mais longa e quem sabe amarga.

Este jogo tinha todos os ingredientes para ser difícil:

- a equipa vinha na ressaca de dois desaires, cada qual em competições diferentes, mas marcadamente traumáticas. A possibilidade de os jogadores estarem cansados física, mas sobretudo sobrecarregados mentalmente era muita.

- O adversário ter sido goleado há poucos dias em Alvalade podia ser a ignição de um certo relaxamento.

- Tradicionalmente o Sporting encontra sempre grandes dificuldades neste estádio, particularmente nesta competição. 

- As alterações introduzidas no onze inicial por Couceiro, quer do ponto de vista individual, quer do ponto de vista da organização da equipa, tornaram o Setúbal numa equipa mais difícil de ultrapassar.

- Para o quadro ficar mais denso falhamos um penalty que nos teria deixado cedo na frente do marcador.

À medida que o tempo corria parecia que a noite ia mesmo assim ser longa, até que um trovão de Dost, muito bem assistido por Marvin, nos empurrou para o sorteio da eliminatória seguinte. O Jamor continua a ser um destino possível e desejável.

Augusto Inácio: «Marco Silva nunca entendeu a comunicação do Sporting»


Está em curso nos tribunais o julgamento da acção interposta por Marco Silva contra José Eduardo. A frase que titula o post é retirada de uma citação de Augusto Inácio para qualificar os problemas entre o antigo treinador e a SAD. Nesse mesmo julgamento o visado, José Eduardo, confessou que "tudo o que disse sobre Marco Silva foi-me transmitido pela administração da SAD". 

Ora, tendo isto em conta, e por mais razões que pudessem assistir então à administração neste diferendo, seria sempre muito difícil de entender a comunicação de uma SAD profissional e bem paga que mandata terceiros para enviar recados pela televisão ao treinador da sua equipa da sua modalidade mais representativa. Tinha tudo para acabar mal, como hoje se sabe que acabou.

E, tendo em conta muitas das acções e omissões mais recentes, a que se vem juntar a presença ontem de Bruno de Carvalho ontem na CMTV (???) a dificuldade de entender as acções e propósitos da comunicação da SAD vai permanecer por mais algum tempo.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Tremenda injustiça para com Jorge Sousa

Não se compreende o que os jogadores do Benfica fizeram a Jorge Sousa. Foi um boicote, do mais infame que tenho visto em Portugal! Jorge Sousa foi à Luz para tentar bater o recorde de João Capela (4 penaltis não assinalados contra o Benfica, no mesmo jogo) e os maquiavélicos jogadores de vermelho apenas lhe deram a possibilidade de não assinalar dois. Louve-se Pizzi que quis colaborar, passando a bola de uma mão para outra, mostrando bem que devia ser penalti, mas que Jorge Sousa nunca iria apitar. Luisão então esteve vergonhoso: nem um dos seus habituais golpes de Karaté executou. Nem Lindelof andou com os braços pelo ar como costuma. Boicotaram a tentativa de recorde de Jorge Sousa. Lamentável!!!

Tenho visto muitos Sportinguistas a dizerem ponderar se devem, ou não, “desligar-se” do fenómeno futebol, devido aos consecutivos atropelos que adulteram a verdade desportiva e, normalmente, sempre no mesmo sentido. 

Também eu já, por várias vezes ao longo dos anos, me deparei com a mesma dúvida. E, irritado, revoltado, com vontade de ir para cima dos vigaristas, dos chefes dos vigaristas, dos propagandistas defensores da vigarice, e dos DDT, e dar-lhes um aconselhamento físico que os fizesse perceber que “vigarices nunca mais”, porque era perigoso para a sua integridade física, caio em mim e penso: “isto é uma luta contra o Sporting”, “eles querem é deitar abaixo o Sporting”, e outros pensamentos semelhantes.

É ai que me revolto (ainda mais), e que penso se o que “eles” querem é isso, então vamos lutar. Lutar mais ainda! Apoiar, proteger, e lutar contra os inimigos do Sporting. Em todas as frentes. No apoio às equipas, no desmascarar nos media e nas redes sociais, e em tudo o que é opinião publica, todas as vigarices de que o Sporting é alvo.

Aproveitando a “deixa” de inúmeros comentadeiros pós- derby que argumentam que venceu a eficácia, e que o Sporting não foi eficaz, temos de dizer que não há equipas perfeitas, todas cometem erros, mas que a umas aparece o colinho salvador para corrigir os erros, enquanto que a outras inventam-se mais erros, para ajudar a estragar o trabalho feito.

Não podemos desistir. Temos de lutar contra as vigarices do futebol em Portugal, e não só.

Esforço, dedicação, devoção e gloria. Eis o Sporting!

Nota importante: a autoria do post é do editor "8" deste blogue.

domingo, 11 de dezembro de 2016

Outra vez limpinho, limpinho, limpinho

Foi talvez um dos melhores dérbys dos últimos tempos, muito intenso, muito disputado e com o resultado em suspenso praticamente até ao final. Do ponto de vista táctico as equipas encaixaram-se como siameses nos minutos iniciais para se separarem por iniciativa do Sporting, que começou paulatinamente a procurar assumir o jogo.  

Mas é difícil superar um adversário bem preparado e simultaneamente dar a volta à sorte. O Sporting foi apenas inferior em dois pontos decisivos para o desfecho do jogo: em alguns momentos defensivos, onde acumula erros e "distracções" fatais, quase sempre a partir das laterais, e na eficácia atacante. Parece pouco mas é quase tudo.

E depois teve azar, porque Jorge Sousa deve ter faltado às consultas do Jorge Oculista. Há pelo menos dois lances passiveis de penalty, sendo o de Nelson Semedo inaceitável. Mas posso até pensar que foi um problema de visão. Mas quando o jogo chegava ao fim, nos últimos minutos, o árbitro erra praticamente todas as decisões contra nós, que anteriormente não falhou em lances idênticos, ficando a sensação de que o senhor sabia o que tinha que fazer. Conseguiu pelo menos atenuar a intensidade da nossa reacção e desestabilizar a equipa. 

Mas há também responsabilidades da nossa parte. No que diz respeito ao processo defensivo o Sporting sofre o primeiro golo numa transição rápida em que Zeeglaar se deixa literalmente "comer pelas costas" por Sálvio, que ainda na parte final do lance se encontrava vários metros atrás, para ir fazer golo metros à frente do defesa. O segundo golo acontece no centro da nossa pequena área, com João Pereira a esquecer-se de Jimenez, precisamente o jogador a quem estava agarrado fracções de segundo antes. Continuamos a ser penalizados por estas debilidades que nos estão a custar resultados após resultados e não se vislumbra o fim para eles.

Depois há decisões infelizes de Jorge Jesus, que parece gostar de jogar com pelo menos um jogador em campo. Bryan Ruiz está sem estamina, não tem poder de explosão. É verdade que nunca foi o seu forte, mas o que eram inteligência, esclarecimento, definição, é agora lentidão e complicação, emperrando o jogo. Percebeu-se a diferença com entrada de Campbell, sem que se entendesse porque saiu Bruno César e não Bryan. Não satisfeito trocou um Ruiz lento por um Ruiz (Alan) parado ou invisível. 

Fizemos ainda assim um grande jogo e é a isso que temos que nos agarrar, agora que voltamos ficar a cinco pontos de distância e depois de dar um trambolhão na classificação. Mas quando há qualidade como a que exibimos hoje tem de haver esperança.

Devemos também realçar que o vencedor acabou por ser premiado por  uma equipa muito eficaz e que do ponto de vista dos seus interesses esteve sempre muito bem, sabendo aproveitar muito bem aqueles pontos que todos sabemos serem os nossos pontos fracos.

Realces individuais para a exibição monumental de William na segunda parte e pelo exemplo de Adrien durante todo o jogo. Patricio continua num momento fabuloso e fosse sempre por ele e estaríamos bem melhor.

Mas este jogo não deixa de lançar sérias interrogações sobre a real valia do nosso plantel, especialmente quando comparamos os jogos do ano passado com este mesmo adversário e as opções que Jesus tinha então à disposição e as que tem hoje. Vários milhões depois, e ao contrário do que pareceu na pré-temporada, a dúvida sobre a qualidade das decisões são cada vez maiores e mais justificadas.

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